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Sábado, 15 de maio de 2021

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Nem online, híbrida ou presencial

Pai de aluno denuncia IFMT no MPF por professores não estarem dando aula; Instituição nega

Foto: Reprodução

Pai de aluno denuncia IFMT no MPF por professores não estarem dando aula; Instituição nega
Ismael Ramos Júnior, pai de um aluno do Curso Técnico de Eletroeletrônica Integrado ao Ensino Médio no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso (IFMT), campus Cuiabá, protocolou, na manhã da última quinta-feira (15), uma manifestação no Ministério Público Federal (MPF), denunciando que professores da instituição não estariam dando aulas desde o início do ano de 2021.

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O pai conta que percebeu, gradativamente, a queda na quantidade de aulas assistidas pelo filho. No entanto, afirmou que neste ano a situação piorou, com a ausência, tanto online, quanto híbrida e presencial, das aulas. O IFMT nega e explica que o formato de ensino adotado durante a pandemia, Regime de Exercício Domiciliar (RED), nem sempre conta com aulas por videoconferência. 

“[No ano passado] a gente via alguma movimentação de alguns professores, até tentando ministrar algumas aulas, mas assim, também não era aquela coisa sistemática. A gente não via, nem por parte da coordenação, nenhum tipo de movimentação, de forma a estar deixando claro para os pais se ia ter algum tipo de aula, como que ia ser a educação. A gente via, pelo contrário, a coisa abandonada, que tava empurrando com a barriga, mas de vez em quando tinha uma ou outra aula.”, contou Ismael ao Olhar Direto.

Mesmo após o fim das férias docentes, segundo o pai, os professores do departamento onde o filho está matriculado não teriam retornado. Entre suas preocupações está o baixo rendimento do filho na maior parte das disciplinas.

“Parece que entraram de férias e até agora não teve aula nenhuma, nem a matéria técnica, nem as matérias de exatas. Meu filho, esse ano, ele tá indo pro terceiro, era pra estar indo pro terceiro, a gente não sabe nem em que pé tá lá a situação dele, se concluiu o segundo, se não concluiu, se concluiu passou com a barriga porque ele não aprendeu nada de física, de química, de português, e são matérias que ele vai precisar, se ele quiser entrar numa faculdade”, relatou. 

Com o impacto causado pela pandemia no cronograma escolar da instituição, professores do curso do filho de Ismael teriam dito, inclusive, que iriam passar trabalhos que valeriam a nota de todo o período letivo de 2020, em uma tentativa de compensar o período em que não tiveram aula.

A informação foi o estopim para que o pai do adolescente entrasse em contato com a coordenação do curso de eletroeletrônica e a direção do IFMT. A instituição teria negado, conforme informou Ismael à reportagem.

“Mesmo você conseguindo ter o contato lá, eles falam que não, que tá tudo normal, que tá tendo aula online, mas a gente vê que é uma verdadeira mentira, porque a gente tem um filho que estuda lá, e principalmente no ano de 2021 eles não tiveram aula nenhuma”, disse.

Após ter recorrido à direção do IFMT, Ismael decidiu, na manhã desta quinta-feira (15), fazer uma manifestação no Ministério Público Federal, onde denunciou os fatos narrados à reportagem. O processo foi encaminhado ao Núcleo de Tutela Coletiva da Procuradoria da República no Estado de Mato Grosso e aguarda a análise de um procurador, que ainda será escolhido. 

IFMT nega acusação

Procurada pela reportagem, o IFMT, apesar de ter dito não ter conhecimento sobre o caso específico do filho de Ismael, negou que a instituição tenha se ausentado das atividades didáticas programadas que deveriam ser desempenhadas pelos professores no ano letivo de 2021.  

Esclareceu ainda que desde o começo da pandemia todos os cursos da instituição, inclusive de eletroeletrônica, tem adotado o formato de Regime de Exercício Domiciliar (RED), que consiste em um sistema misto de atividades, onde nem sempre as aulas são realizadas por videoconferência. 

Explicou também que nesse modelo as aulas são divididas entre aulas síncronas, com videoconferência realizada pelo professor e assíncronas, com atividades para serem feitas de forma autônoma pelo aluno. A instituição disse que conta com um Ambiente Virtual de Aprendizagem (AVA), outra plataforma que disponibiliza o conteúdo programado pelos professores, listas de exercícios, entre outras atividades extras.

“Ele [RED] não é aula síncrona via web conferência todos os dias, mas é um modelo híbrido em que você pode ter atividades, que nós chamamos de síncrona, que é no momento da aula onde o professor entra e através de webconferência profere uma aula, como ele proferiria se fosse presencial. Temos outras atividades também, que nós chamamos de assíncronas, onde o professor eventualmente grava um vídeo, faz uma exposição sobre determinado assunto”, disse Cristovam Albano da Silva Júnior, Diretor Geral do IFMT, campus Cuiabá. 

Sobre a escolha do modelo, o diretor da instituição explicou que levou em consideração o fato de que grande parte dos alunos do campus não tem acesso à internet, necessário para a realização de videoconferências diárias, como seria no caso de um formato totalmente síncrono.

Nesse sentido, em novembro de 2020, o IFMT publicou um edital de auxílio emergencial digital para que alunos sem internet pudessem comprar chip de dados para cumprir as atividades propostas pelo RED. 

“Não é como o modelo de muitas escolas particulares que se utilizam somente desse modelo que nós chamamos de aula síncrona, porque nem todos os nossos alunos têm a mesma condição de acesso, nem todos os alunos têm computador em casa ou tablet. A gente teve que adotar algo que atendesse a grande maioria”, disse.

Sobre a manifestação feita ao MPF, Cristovam disse que assim que a instituição for notificada sobre o processo e tiver acesso aos detalhes da denúncia, deverá prestar os esclarecimentos, assim como apurar as informações prestadas na queixa de Ismael. 

“Cada turma pode estar em uma situação diferenciada, são pessoas diferentes em cada turma com situações diferentes que nós temos que atender, mas uma certeza eu tenho: a nossa instituição nunca se furtou de dar a resposta aos questionamentos que os próprios alunos nos fazem ou que os responsáveis pelos nossos alunos nos fazem”, completou. 

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