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Sábado, 24 de julho de 2021

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Sequelas da covid podem ter agravado quadro de vendedora que morreu após cirurgia plástica, aponta laudo

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto / Reprodução

Sequelas da covid podem ter agravado quadro de vendedora que morreu após cirurgia plástica, aponta laudo
O laudo da Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) apontou que a morte da vendedora de veículos Keitiane Eliza da Silva, 27 anos, após uma cirurgia plástica no Valore Day Hospital, pode ter sido causada por sequelas da Covid-19. Keitiane se infectou com a doença no último mês de março e morreu no dia 13 de abril por complicações pós-cirúrgicas.
 
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De acordo com o laudo da Politec, no período pré-operatório os exames laboratoriais de Keitiane estavam normais, o exame físico estava sem alterações e não havia dificuldade prevista na cirurgia e por isso ela foi liberada para o procedimento.
 
O laudo também apontou que a vendedora teve Covid-19 algumas semanas antes. A perícia não conseguiu concluir o que causou a coagulopatia que se instalou após a cirurgia, que acabou provocando a morte de Keitiane. O laudo considerou que o quadro recente de Covid-19 pode ter influenciado no quadro da paciente.
 
“Fica claro para estes peritos que o sangramento excessivo que levou a Sra. Keitiane à morte, se deveu a um quadro agudo de coagulopatia (CIVD) que se instalou no pós-poeratório imediato, de forma imprevisível. Não é possível afirmar categoricamente se a causa dessa desordem esteve relacionada ao grande porte da cirurgia e a condições orgânicas individuais inatas da falecida, ou até mesmo ao quadro recente de Covid-19 que ela havia tido, doença de surgimento recente, multifacetada e de repercussões ainda insondáveis, sabidamente associada a coagulopatia”, diz trecho do documento.
 
Os peritos ainda disseram que conclusões adicionais poderão ser estabelecidas com o resultado do exame anátomo-patológico de peças anatômicas enviadas à Gerência de Histopatologia Forense.

“O que se verificou de importante na documentação analisada referente aos antecedentes da periciada é que ela já havia anteriormente se submetido a pelo menos dois procedimentos cirúrgicos de monta (cesariana e implante de prótese mamária) sem notícia de complicações semelhantes, e que ela havia tido Covid-19 no mês anterior à realização da cirurgia (teste antígeno positivo em 22/03/2021) [...] Não havia nenhum problema de saúde detectável, sobretudo, no sistema de coagulação sanguínea, evidenciando uma mulher jovem e saudável”.
 
Procedimentos
 
Os procedimentos cirúrgicos realizados na vendedora foram: lipoescultura com enxerto de gordura em glúteo, abdominoplastia e correção de uma cicatriz na mama, sendo que este último não havia sido feito pelo cirurgião plástico. Toda a cirurgia demorou cerca de seis horas (começou às 08h e terminou às 14h).
 
“Em pré-consulta com médicos anestesista e cardiologista, a paciente realizou todos os exames necessários e os mesmos não apresentaram nenhuma anormalidade. Portanto, a paciente estava apta ao procedimento e, assim, foi liberada para realizá-lo”, diz trecho da nota encaminhada pelo médico Alexandre Veloso, responsável pelos procedimentos.
 
A assessoria jurídica afirma ainda que o médico disponibilizou assistentes sociais e psicólogas para prestarem atendimento aos familiares da jovem e reforçou que prestou todos os atendimentos necessários e em momento algum se furtou de estar presente e acompanhando-a.
 
“Em nome de todo corpo clínico que participou deste procedimento e dos que fizeram o atendimento posterior, principalmente em nome do médico Alexandre Veloso, a assessoria jurídica esclarece que todo procedimento cirúrgico possui risco, mas se coloca à disposição da família, da mídia e protocolos legais na certeza de que cumpriram todos os protocolos de segurança e saúde. Por fim, o médico Alexandre Veloso externa seu mais profundo sentimento de pesar”, finaliza a nota.
 
O caso

 
A vendedora de veículos Keitiane Eliza da SIlva, de 27 anos, faleceu na madrugada desta terça-feira (13), depois de passar por uma cirurgia plástica no Valore Day Hospital, localizado no bairro Santa Rosa, em Cuiabá. O médico que operou Keitiane se chama Alexandre Veloso.
 
Por volta da meia noite desta quarta-feira (14), a jovem apresentou instabilidade em seu quadro e teve uma parada cardíaca e foi transferência para uma Unidade Intensiva de Saúde (UTI) no Hospital Santa Rosa, onde faleceu.
 
O Valore Day Hospital foi aberto em outubro de 2018 e é específico para a realização de cirurgias eletivas, ou seja, as que não são de urgência. O médico Alexandre Veloso manifestou-se sobre o caso por meio de nota oficial assinada pelo advogado Rony de Abreu Munhoz.

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