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Sexta-feira, 24 de setembro de 2021

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NÚMERO RECORDE

Desmatamento na região da BR-163 cresce 359% nos primeiros quatro meses de 2021

Foto: Reprodução

Desmatamento na região da BR-163 cresce 359% nos primeiros quatro meses de 2021
Considerado um dos principais eixos de escoamento da soja produzida em Mato Grosso, a BR-163 também é observada como um ponto crítico na conservação ambiental. De acordo com a Rede Xingu +, a região que cerca a via sofreu com o desmatamento recorde em 2021, com um aumento de 359% nos quatro primeiros meses do ano. A taxa de aumento corresponde ao maior valor registrado em toda série histórica, atingindo 1.106 ha e 1.249 ha desmatados em cada lado da pista. 

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A via corta o estado até o Pará, onde segue até o complexo portuário de Miritituba, em Itaituba (PA). No seu entorno, um dos corredores ecológicos mais importantes da Amazônia: a bacia do rio Xingu e todo o mosaico de Terras Indígenas e Unidades de Conservação que protegem 26 milhões de hectares da Amazônia. Segundo a organização, é no trecho de influência da BR que a floresta está mais ameaçada. 

Os dados foram levantados a partir do boletim Sirad-X, produzido pela Rede Xingu +. Nele ainda é possível observar que mesmo diante da época de chuvas na região, quando o desmatamento costuma diminuir, os números seguiram crescendo. Os dados foram calculados num trecho de 5 km de cada lado da rodovia, no seu trecho inicial no Pará, desde a divisa com o MT até a altura do distrito de Castelo dos Sonhos.

Para a Rede, a escalada é reflexo da fragilização da fiscalização na área, e consequência do aumento contínuo de atividades ilícitas. Nessa região, uma operação de fiscalização contra crimes ambientais chegou a ser suspensa pelo ICMBio, órgão responsável pela gestão das Unidades de Conservação. A operação retiraria 11.000 cabeças de gado da Reserva Biológica Nascentes da Serra do Cachimbo, mas foi cancelada sem nenhuma justificativa. 

O desmatamento nessa mesma UC cresceu 4.225% em março e abril de 2021 em relação a 2020. A Rebio é estratégica para a conservação, pois protege centenas de nascentes que formam importantes rios da bacia do Xingu e Tapajós.

A explosão do desmatamento na Rebio, área que um ano antes apresentava níveis relativamente baixos de derrubada (8 ha em março e abril de 2020), indica que a destruição está avançando sobre áreas antes conservadas. E segue intensa em regiões com altos níveis de invasão, como a APA (Área de Proteção Ambiental) Triunfo do Xingu, a UC mais desmatada no período. 

A APA foi a Unidade de Conservação mais desmatada em 2020, de acordo com o Prodes, boletim do Inpe que analisa o desmatamento da Amazônia. Entre agosto de 2019 e julho de 2020, foram 43.868,83 hectares de floresta derrubados.


Desmatamento do tamanho de Fortaleza 

Entre março e abril, foram 29.191 hectares de floresta ao chão em toda a bacia do Xingu, nos Estados do Mato Grosso e Pará. É o tamanho do município de Fortaleza (Ceará) totalmente destruído em uma velocidade de 196 árvores derrubadas por minuto. A derrubada representa um aumento de 40% em relação ao mesmo período do ano passado.

A região paraense da bacia se destacou pelos altos índices de desmatamento neste bimestre, com 17.962 ha desmatados, 62% do total detectado no período.Mesmo no inverno amazônico, estação com muita chuva na região, o que dificulta a ação dos infratores, o desmatamento apresentou aumento de 36% em relação a março e abril de 2020. Já no Mato Grosso, o desmatamento teve aumento de 48% em comparação com o mesmo período do ano passado.

Altamira e São Félix do Xingu, no Pará, foram os municípios que mais desmataram na bacia, concentrando juntos 55% do total. Altamira, primeiro lugar do ranking, apresentou incríveis 7.984 ha de floresta derrubada apenas no mês de março.

O município permanece como primeiro na lista dos que mais desmatam no Xingu, com quase 15 mil hectares desmatados somente nos 4 primeiros meses do ano, um aumento de 63% em comparação aos primeiros 4 meses de 2020. São Félix do Xingu, em segundo lugar, compreende áreas intensamente desmatadas devido à pressão exercida pela pecuária, com grandes áreas convertidas em pasto em pouco tempo.

Em terceiro lugar temos União do Sul, no Estado de Mato Grosso, que apresentou mais de 2 mil hectares de desmatamento somente em abril, um aumento de 443% em comparação a abril do ano passado. Marcelândia, na quarta posição, teve o maior aumento (237%) entre março e abril de 2021, passando de 416 ha em março para 1.404 ha.

Para ler a íntegra do boletim emitido pela Rede Xingu +, clique aqui


*Com informações da assessoria
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