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Segunda-feira, 02 de agosto de 2021

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Ex-comandante do Bope vê semelhanças entre caçada a Lázaro e combate ao Novo Cangaço: “desencontro de informações e dados fantasiosos"

Foto: Rogério Florentino Pereira/ OD

Ex-comandante do Bope vê semelhanças entre caçada a Lázaro e combate ao Novo Cangaço: “desencontro de informações e dados fantasiosos
Desencontro de informações e dados fantasiosos são alguns dos fatores apontados pelo coronel da Polícia Militar de Mato Grosso (PMMT)  Gilson Farid, que tem dificultado o processo de captura do foragido Lázaro Barbosa, suspeito de matar quatro pessoas de uma mesma família ainda no início mês, em Ceilândia, no Distrito Federal. A convite do Olhar Direto, o ex-comandante do Batalhão de Operações Policiais Especiais (BOPE), bacharel em Direito, com cursos de Operações Policiais na Polícia Americana e Gerenciamento de Crise com oficiais de Israel, denotou as dificuldades do processo policial que já dura mais de duas semanas. 

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No último dia 22 de junho completaram duas semanas da morte de Cláudio Vital, 48, seus dois filhos, um de 21 anos e outro de 15, e de sua mãe, Cleonice Andrade, 43. Nos três primeiros óbitos, segundo a polícia, os corpos foram encontrados em casa com marcas de tiro e faca. No último, da mãe, a localização do corpo foi feita em um córrego, com um tiro na cabeça. Para os agentes militares, o que ambos crimes têm em comum é o seu autor: Lázaro Barbosa, que nesta quinta-feira (24) é pelo 16º dia consecutivo o alvo de uma busca incessável das forças de segurança de Goiás. 

“As principais dificuldades são muitas, entre as mais relevantes, estão a existência de várias forças na operação, trazendo por múltiplas e diferentes gerências, diferentes condutas de agirem. Somado ao fator tempo, terreno extenso e com variadas fontes de camuflagem e alimentos, dando uma importante vantagem para o marginal. Muitas propriedades rurais foram abandonadas, isso facilitou um apoio preponderante a favor do criminoso”, explica o coronel Farid sobre as principais entraves na localização do foragido. 

De acordo com o agente, pesam, além disso, o grande fluxo de informações sobre o caso. Desde o início das operações, segundo a Polícia Civil, o disque denúncia de Goiás já recebeu mais de quatro mil ligações, na maior parte das vezes, para opinar sobre o caso. O coronel ressalta ainda, que nessas chamadas ocorre a relatoria de informações que não são verdadeiras.

“Um agravante nessa perseguição é o desencontro de informações e a variedades de informes dado pelos moradores da região, muito fantasiosas. Acredito que são muito poucos os vestígios deixados pelo criminoso, pois o seu conhecimento do terreno e com uma possível existência de apoio, podem dificultar o encontro de rastros”. 

Nesta quinta, segundo informações da imprensa local, Lázaro teria afirmado, durante uma ligação feita à mãe, que não age sozinho. De acordo com a Polícia Civil, o contato teria sido feito enquanto as buscas já estavam em andamento, o que reforça a tese de que ele esteja recebendo apoio durante a perseguição. Os agentes também não descartam a hipótese de que ele tenha contado, inclusive, com auxílio durante a chacina cometida contra a família, no Distrito Federal.  

Atualmente, as buscas de Lázaro acontecem em regime de revezamento de forma ininterrupta, onde centenas de policiais estão espalhados na região de Girassol, em Goiás. A ação conta também com o bloqueio de rodovias, para que seja feita a verificação de veículos, impedindo assim que ele consiga fugir para outro estado. As equipes trabalham nos dois lados da BR-070, que liga Goiás a Mato Grosso. 

“Ele será preso em breve, pois a dimensão do aparato de tropas, somado com os equipamentos altamente especializados em busca, somado com o cansaço físico e mental, vão  fazê-lo cometer alguma falha”, comenta Farid sobre a perseguição, apesar do tempo que se estende. 

Para o coronel, a operação que as forças de segurança de Goiás desenvolvem nesse momento, podem ser comparadas, inclusive, às operações que a Polícia Militar de Mato Grosso desempenha no combate ao “Novo Cangaço”, método violento de roubo a banco onde os criminosos utilizam as vítimas como escudo. Ultimamente, estes registros têm ocorrido com maior frequência na região norte do estado. 

“Os sucessos do Bope [Batalhão de Operações Policiais Especiais] de Mato Grosso nessas difíceis e arriscadas operações de caça aos bandos do novo cangaço são tão complexas [quanto ao caso Lázaro] e de natureza terríveis para a tropa em virtude do treinamento, armamentos e organização desses assaltantes de banco. A PMMT [Polícia Militar de Mato Grosso] é hoje uma das melhores corporações que realiza, com um altíssimo grau de competência e sucesso, a perseguição, localização e prisão de marginais no Brasil”, finalizou.

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