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Quarta-feira, 29 de junho de 2022

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“É como se o Estado entendesse que corpos velhos tem que ser descartados”, diz filha de idosa em estado grave que aguarda UTI

Foto: Rogério Florentino / Olhar Direto / Reprodução

“É como se o Estado entendesse que corpos velhos tem que ser descartados”, diz filha de idosa em estado grave que aguarda UTI
Adenísia Auxiliadora Barros, filha da idosa de 76 anos Eunice Alves de Barros, tem lutado por uma vaga em UTI para sua mãe. O quadro de saúde de Eunice é grave após ter sofrido um infarto do miocárdio na semana passada. Uma decisão da Justiça, do último dia 14, deu prazo de 12 horas para que um leito de UTI fosse providenciado para Eunice. No entanto, até hoje ela aguarda a vaga. Para Adenísia, é como se o Estado “entendesse que corpos velhos tem que ser descartados”.
 
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Conforme consta na ação de obrigação de fazer, Eunice deu entrada no último dia 13 de setembro na sala vermelha de emergência da Unidade de Pronto Atendimento do Cristo Rei, com quadro de infarto do miocárdio recorrente da parede inferior. Conforme os médicos ela é paciente instável hemodinamicamente com quadro de bradicardia, hipotensão, rebaixamento do nível de consciência, associado a desvio de rima e salivação excessiva, necessitando com urgência de transferência para UTI.
 
Na decisão do dia 14 o juiz Wladys Roberto Freire do Amaral citou que a saúde da população é dever dos Poderes Públicos e garantia do cidadão. Ele entendeu que era necessário o deferimento da medida antecipatória, já que é inquestionável o perigo de dano, caso a solução ocorra apenas ao final do processo, já que Eunice necessita ser transferida para uma UTI. Considerando também o risco de agravamento do quadro clínico da idosa ele determinou que um leito fosse providenciado.
 
“Defiro o pedido de tutela de urgência e determino que os requeridos providenciem para a paciente Eunice Alves de Barros, [...], um leito de Unidade de Terapia Intensiva Adulto – UTI ADULTO TIPO II, em hospital público ou particular conveniado ao SUS, que disponha de condições técnicas para tratamento de sua enfermidade, cujo transporte deverá ocorrer via UTI Móvel [...]Fixo o prazo de 12 horas para o cumprimento da presente decisão, sob pena de aplicação de multa”.
 
A filha de Eunice, Adenísia Auxiliadora Barros, disse que conversou com médicos, que afirmaram que existem vários leitos de UTI desativados, que foram utilizados para tratamento contra a Covid-19, e que após desinfecção poderiam ser utilizados por outros pacientes. Ela disse estar indignada com a situação de sua mãe, e outros idosos, pois no caso de Eunice os médicos lhe deram poucos dias de vida, caso não receba o tratamento necessário.
 
“Estou indignada, porque assim como o caso da minha mãe tem outros casos nas UPAs, eu fiquei sabendo. E como a maioria é idosa, com esse calor todo o risco de infarto é grande, eles estão infartando. O que eu percebo é como se o Estado entendesse que corpos velhos tem que ser descartados. No dia que ela entrou, na segunda-feira da semana passada, o médico me falou que as chances são mínimas de minha mãe aguentar até o dia seguinte sem UTI, só que a vontade de viver dela é tanta, que ela está lutando pela vida e por este leito que não aparece”, disse Adenísia.
 
Ao Olhar Direto a assessoria da Prefeitura de Várzea Grande afirmou que Eunice já está regulada e deve ser transferida para uma UTI ainda hoje.
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