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Quarta-feira, 27 de outubro de 2021

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Pediu demissão

Vendedor denuncia racismo e homofobia após ser chamado de macaco por supervisor da Studio Z

Foto: Reprodução/Facebook

João fez a denúncia após ter pedido demissão da loja.

João fez a denúncia após ter pedido demissão da loja.

O cuiabano João Gabriel Guimarães Vieira, de 20 anos de idade, denunciou pelo crime de racismo e homofobia um supervisor da loja de calçados Studio Z, que fica localizada na rua Treze de Junho, no centro de Cuiabá. O ex-funcionário registrou o boletim de ocorrência na última sexta-feira (24) na 3ª Delegacia de Polícia do Coxipó. 

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De acordo com João, ele teve coragem de prestar queixa apenas após ter pedido demissão da empresa. Isto porque o ex-funcionário tinha medo de sofrer retaliações caso fizesse qualquer tipo de denúncia enquanto ainda tinha vínculo empregatício com a loja. 

"Só hoje tive coragem, pois foi muito difícil eu conseguir denunciar ou falar sobre isso, estava correndo o risco de perder o emprego e nessa pandemia não está sendo nada fácil [encontrar] serviço”, disse o jovem em uma publicação feita através das suas redes sociais. 

Enquanto desempenhou funções na loja, João conta que foi alvo de diversos comentários e brincadeiras homofóbicas. Em uma destas ocasiões, inclusive, o supervisor teria o chamado de “macaco”. Quando o questionou pelo motivo da injúria, o homem disse que era por causa do tamanho da sua orelha. 

Na postagem que fez em sua conta no Facebook, João disse que decidiu compartilhar o episódio que viveu na loja para, também, pedir ajuda e cobrar justiça pelo ocorrido. 

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Outro caso de racismo 

Em julho deste ano, o servidor federal Paulo Henrique Arifa dos Santos, 38 anos, também alegou ter sido vítima de agressão e racismo na Studio Z, no Shopping Pantanal, em Cuiabá. Na ocasião, ele foi acusado de furto após fazer uma compra na loja. 

Na época, ele entrou na loja e comprou um par de sapatos masculinos por R$ 79,99. A vítima os calçou e saiu em direção a outra loja, para adquirir roupas. No outro estabelecimento, porém, Paulo foi surpreendido por cinco seguranças e uma vendedora da Studio Z, que passaram a acusá-lo de ter furtado os sapatos.

Um dos seguranças, então, tentou pegá-lo pelo braço, para tentar levá-lo para a sala da segurança, o que o levou a pisar em falso e lesionar o tornozelo. Em seguida, ele achou a nota fiscal e apresentou a prova de que havia comprado os sapatos.

Aumento de denúncias contra homofobia

De acordo com dados da ONG SaferNet, as denúncias contra homofobia na internet registraram alta de 106% entre janeiro e a primeira metade de junho de 2021, na comparação com o mesmo período do ano passado. A organização, que fez o levantamento, atua no combate aos crimes virtuais.

A Central Nacional de Denúncias de Crimes Cibernéticos da SaferNet recebeu 2.529 denúncias de homofobia na internet desde o início de 2021. Neste mesmo intervalo em 2020, a associação havia registrado 1.226 denúncias.

O que diz a Studio Z

A reportagem entrou em contato com a unidade da loja onde o jovem denuncia ter sido vítima de racismo e homofobia, porém, até a publicação desta matéria, não houve nenhuma manifestação de posicionamento sobre o ocorrido. O espaço segue aberto para futuras manifestações. 
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