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Quinta-feira, 02 de dezembro de 2021

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Em 2017

Opositor de Emanuel, Diego Guimarães aparece em lista de políticos que indicaram contratação de servidores na Saúde

Foto: Rogério Florentino/Olhar Direto

Opositor de Emanuel, Diego Guimarães aparece em lista de políticos que indicaram contratação de servidores na Saúde
Opositor ferrenho do prefeito Emanuel Pinheiro (MDB), o vereador Diego Guimarães (Cidadania) apareceu como uma das figuras que, supostamente, teria feito indicações de servidores para a Saúde, antes de romper com o agora adversário político. Tal fato consta em uma lista de 2017 feita pela ex-secretária de Saúde de Cuiabá, Elizeth Lúcia de Araújo. O documento foi entregue pelo ex-secretário da pasta, Huark Douglas Correia, ao Ministério Público, em delação premiada. Em nota, o parlamentar negou e reitera que não houve qualquer nomeação que tenha sido indicada por ele.

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Diego Guimarães e os vereadores Mario Nadaf (PV), Marcrean Santos (PP) e Renivaldo Nascimento (PSDB) teriam feito, juntos, seis indicações de servidores para trabalharem na Secretaria Municipal de Saúde, conforme a lista divulgada pelo G1. Denúncia aponta que a contratação de mais de 250 pessoas teria sido usada como um ‘canhão político’, para comprar apoio a gestão do emedebista.

Em nota, o vereador pontuou que não tem conhecimento do conteúdo do ofício citado na relação apontada na reportagem, visto que não foi encontrado nos arquivos do gabinete. "Ainda aguarda mais informações para prontamente esclarecer. Reitera que não houve qualquer nomeação na gestão Emanuel Pinheiro por sua indicação".

Acrescenta ainda que repudia a utilização de cargos que deveriam ser preenchidos por concurso público para indicações políticas. "Tanto é assim que foi autor do projeto de emenda a lei orgânica do município que visava regulamentar o preenchimento de cargos comissionados no poder público municipal, projeto denominado emenda da moralidade".
 
À época, Diego Guimarães não era opositor do prefeito Emanuel Pinheiro, assim como o então vereador Abílio Junior (PSC), que insatisfeito com a falta de cargos, teria rompido com o emedebista.
 
Naquele momento, Abílio disse que a medida se devia a falta de diálogo por parte do prefeito. “Ele [Emanuel Pinheiro] dizia que ajudaríamos a governar, mas até o momento isso não ocorreu. Eu entreguei os dois cargos que tinha indicado para atuar junto a prefeitura [Meio Ambiente e Ordem Pública] e solicitei a devolução dos nove currículos que tinha indicado. Ele demorou muito a analisar. Agora, a minha independência será responsável”, disse à época.
 
Depois disto, tanto Abílio, como Diego Guimarães, passaram a fazer forte oposição ao prefeito Emanuel Pinheiro, junto a outros parlamentares. Inclusive, foi instaurada uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), que chegou a pedir o afastamento do emedebista.
 
Agora, depois da deflagração da ‘Operação Capistrum’, o vereador Diego Guimarães se juntou novamente à oposição do prefeito – Dilemário (Podemos), Tenente Coronel Paccola (Cidadania) e Michelly Alencar (DEM) – para requerer a abertura de uma Comissão Processante contra Emanuel.
 
O pedido de impeachment contra Emanuel não é o primeiro. Na legislatura passada, o prefeito acabou tendo o pedido de cassação arquivado pela Casa, após ser investigado na CPI do Paletó. Agora, a oposição quer cassar o mandado do emedebista, afastado do cargo por determinação da justiça.

Lista

O documento, divulgado pelo G1, mostra que alguns vereadores e deputados foram responsáveis por indicações de servidores para a Saúde, à época.
 
O ex-vereador Dr. Xavier teria indicado pelo menos 22 pessoas. Adevair Cabral (PTB) listou mais 13 pessoas e, juntos, os vereadores Diego Guimarães (Cidadania), Mario Nadaf (PV), Marcrean Santos (PP) e Renivaldo Nascimento (PSDB) fizeram outras seis indicações.
 
Toninho de Souza, Ricardo Saad, Justino Malheiros, Vinicius Higueney, que são ex-vereador, também teriam feito indicações. Além deles, também constam pedidos do secretário municipal de Fazenda, Antonio Possas de Carvalho, e o secretário de Planejamento, Jesus Lange Adrien Neto, conhecido como Zito.
 
O documento aponta ainda que o deputado estadual Elizeu Nascimento (PSL), à época vereador, indicou oito pessoas para trabalhar na secretaria. Também figuram os nomes dos deputados Eduardo Botelho (DEM), Allan Kardec (PDT), Paulo Araújo (PP) e Sebastião Rezende (PSC).

Operação

O Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), com apoio da Polícia Civil, cumpre, na manhã desta terça-feira (19), busca e apreensão e sequestro de bens em desfavor do prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB) e sua esposa Márcia Aparecida Kuhn Pinheiro. Foi confirmado também o afastamento do emedebista do cargo de gestor municipal.
 
A 'Operação Capistrum' foi deflagrada após investigações originadas no Núcleo de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa da capital, relacionadas a ilícitos perpetrados no âmbito da Secretaria Municipal de Saúde de Cuiabá.
 
Os pedidos foram acolhidos pelo Tribunal de Justiça no âmbito do procedimento de nº 47.520/2021, o qual corre em segredo de justiça.
 
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), além de determinar o afastamento do prefeito de Cuiabá, Emanuel Pinheiro (MDB), também expediu mandado de prisão temporária contra o chefe de gabinete da Prefeitura, Antônio Monreal Neto.
 
Foram decretados mandados de busca e apreensão contra o prefeito Emanuel Pinheiro, sua esposa Márcia Aparecida Kuhn Pinheiro; secretária adjunta e Governo e Assuntos Estratégicos Ivone de Souza e o ex-coordenador de Gestão de Pessoas Ricardo Aparecido Ribeiro.
 
Além do mandado de prisão, contra Antônio Monreal Neto, também há pedido de busca e apreensão.
 
O prefeito Emanuel Pinheiro acabou também sendo afastado do cargo pela Justiça, assim como Antônio Monreal Neto e a secretária adjunta de Governo e Assuntos Estratégicos, Ivone de Souza.
 
Além da medida criminal determinada pelo Egrégio Tribunal de Justiça, o Ministério Público propôs, através do Núcleo de Defesa do Patrimônio Público e da Probidade Administrativa, ação cível por ato de improbidade administrativa visando a aplicação das sanções da lei de improbidade, bem como apresentou pedidos de indisponibilidade de bens e afastamento de agentes públicos.
 
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