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Terça-feira, 28 de junho de 2022

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PADRÃO DE VIDA ELEVADO

Antes de comprar posto de R$ 6 milhões, 'Baleia' trabalhava como taxista e já foi dono de boca de fumo

Foto: Reprodução

Antes de comprar posto de R$ 6 milhões, 'Baleia' trabalhava como taxista e já foi dono de boca de fumo
A compra do posto de combustíveis Jumbo, realizada por um homem que dizia trabalhar como taxista, foi um dos indícios que levaram a Polícia Federal (PF) a investigar Tiago Gomes de Souza, conhecido como Baleia, 36 anos, preso na manhã desta segunda-feira (16), no condomínio Alphaville, em Cuiabá. Ele é apontado como líder do esquema de lavagem de dinheiro decorrente do tráfico de drogas, que movimentou R$ 350 milhões em quatro anos.

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Em julho do ano passado, depois da troca de informações com a Diretoria de Inteligência da PM, a PF instaurou inquérito, descobriu o enriquecimento ilícito de Baleia e desmantelou o esquema do chefe do tráfico na Capital mato-grossense. Totalizando o dinheiro encontrado nas empresas alvos da operação e na casa de Baleia, foram apreendidos R$ 350 mil em espécie. 
 


Outro ponto importante apurado no inquérito que culminou na Operação Jumbo foi a vida pregressa e o padrão de vida levado por Baleia nos últimos anos. Ele tinha uma troca constante e incomum de automóveis, todos de luxo, além de residir em um dos condomínios com os imóveis mais caros de Cuiabá.

Na vida do crime, começou ainda adolescente como traficante de lança-perfume, fez parte de gangues, depois foi investigado como mandante de um homicídio. Por último, se tornou dono de ‘boca de fumo’, até passar a trabalhar como taxista.  

Ao mudar de cargo na prática criminosa, passou a figurar como empresário a partir do financiamento do tráfico, inclusive mantendo contato quase que diário com uma facção criminosa instalada em Mato Grosso.

Entre os bens do grupo criminoso que foram comprados com dinheiro do tráfico de entorpecentes estão veículos de luxo (total de 101) e imóveis, que totalizam cerca de R$ 60 milhões. A Justiça já determinou o bloqueio desses itens.

Antes de comprar o posto localizado na avenida Palmiro Paes de Barros, que hoje está avaliado em R$ 6 milhões, Tiago trabalhava como taxista. À época, faziam quatro anos desde sua última prisão. “Investigações realizadas na data hoje confirmaram que quando ele adquiriu o posto, ele era taxista. Ele não possuía recursos suficientes para comprar um posto atualmente avaliado em R$ 6 milhões. A Polícia Federal acredita que os recursos por ele empregado eram oriundos do tráfico ilícito de entorpecente”, delegado Jorge Vinícius Gobira Nunes, em coletiva de imprensa na sede da PF.

Depois de comprar o Jumbo, Baleia teria comprado os postos Atalaia e outro na avenida Miguel Sutil, usando uma mulher como laranja. A ideia do criminoso era de expandir seus negócios com uma rede de postos na região metropolitana de Cuiabá, por meio do dinheiro do tráfico de cocaína que vinha da Bolívia para Mato Grosso.

Os criminosos tinham uma metodologia de aquisição e transportavam a droga por meio de ‘mulas’, que caminhavam por cerca de cinco dias, trazendo a cocaína nos ombros. Ao chegar na zona rural Porto Esperidião, onde o grupo tinha uma espécie de base, a droga era levada para Mirassol D’Oeste e depois para a Capital mato-grossense. Em dois dos transportes, a Polícia Militar e o Gefron conseguiram interceptar 210 quilos de cocaína.

A organização criminosa se dividia em dois núcleos: um responsável pela logística e transporte da droga e outro composto por empresários, que lavavam o dinheiro principalmente em postos de combustíveis, conveniências, além de uma mineradora.

“A quebra de sigilo bancário foi cristalina em mostrar que todos os indivíduos do núcleo empresarial, pessoas físicas e jurídicas, transferiam desde 2018, recursos para pessoas ligadas ao tráfico de drogas em Mirassol D’Oeste e Porto Esperidião. Ficou claro e evidente o financiamento do tráfico de drogas por todas essas pessoas que estão presas hoje”, explica Gobira.

Os valores adquiridos através do tráfico de drogas eram mesclados aos ganhos regulares dos postos de combustíveis e conveniências, para dificultar que a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz) notasse alguma irregularidade.

“Havia uma mesclagem. O dinheiro ilícito era mesclado aos ganhos dos postos. Foram identificadas as pessoas que detinham as principais funções na organização criminosa e elas estão sendo objetos de mandados de busca e mandados de prisão na data de hoje”, pontuou.

A investigações continuam e a PF ainda acredita que possa existir outras pessoas no mesmo nível hierárquico de Baleia.
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