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Segunda-feira, 08 de agosto de 2022

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SUSPEITO CAPTURADO

Mãe de jovem esfaqueado fala da prisão de assassino: “se pudesse falar com ele, diria que também acabou comigo”

Foto: Reprodução

Mãe de Roger mora há alguns quarteirões da casa onde o filho foi assassinado

Mãe de Roger mora há alguns quarteirões da casa onde o filho foi assassinado

Pela primeira vez desde que recebeu a notícia de que o filho, Roger André Soares da Silva, de 29 anos, havia sido esfaqueado mais de 30 vezes, a doméstica Jucimar Catarina Soares da Silva, afirma que respirou aliviada ao saber da prisão do suspeito de cometer o crime, nessa quarta-feira (26).

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“Se pudesse falar com ele [com o criminoso], diria que também acabou comigo quando matou meu filho. Tento pensar positivo para a alma dele poder descansar, mas ele me faz muita falta, me amava demais. Agora creio que o Roger vai descansar”. 

Jucimar conta não conseguir mensurar o vazio de saber que não vai mais ver o filho ao chegar na casa onde moravam, no bairro Parque Cuiabá, em Cuiabá. Roger foi assassinado há alguns quarteirões da residência, em 21 de abril. 

“Infelizmente ainda moro no mesmo lugar. Passo todos os dias pela casa do cara [onde o crime aconteceu]. Tenho que passar na frente todos os dias e lembrar que foi onde meu filho morreu”.

Quando a reportagem entrou em contato com Jucimar, no final da tarde dessa quarta-feira (26), a doméstica ainda não havia sido informada sobre a prisão do suspeito. Emocionada, ela lamentou que o criminoso não tinha direito de “interromper os sonhos” de Roger. 

“Tinha acabado de pensar no meu filho, que não vai mais voltar, mas têm muitas outras mães que não merecem passar por isso. Não sei o que levou esse homem a fazer isso, meu coração aliviou. Deixei a Justiça nas mãos de Deus, porque ninguém tem o direito de tirar a vida desse homem também, mas ele acabou comigo”. 

Suspeito matou outras duas pessoas

De acordo com a Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), o suspeito matou uma vítima na cidade de Itaporanga (PB), também com um instrumento cortante. Assim como a cena encontrada na casa no bairro Parque Cuiabá, onde esfaqueou Roger até a morte, a quantidade de sangue encontrada era considerável e estava espalhada pelo local. 

Para o delegado Olímpio da Cunha, responsável pelo inquérito, as três cruzes desenhadas pelo suspeito após matar Roger podem indicar que o jovem era sua terceira vítima. O criminoso usou o sangue de Roger para desenhar as cruzes.

O suspeito também era considerado como foragido em Pernambuco, onde cometeu outro homicídio e teve a prisão cautelar decretada. Para Olímpio, o suspeito é de extrema periculosidade. 

Ex-namorada avisou neta de dono da casa

O delegado explicou que, após cometer o crime, o suspeito pediu ajuda financeira para uma ex-namorada, uma mulher trans que mora na Paraíba. 

A mulher negou o pedido e avisou a neta do proprietário da casa no bairro Parque Cuiabá, na Capital, de que algo poderia ter acontecido no imóvel. 

No local, a testemunha encontrou o corpo de Roger e acionou a polícia. A investigação apontou que o suspeito havia trabalhado para o dono do imóvel em 2016. 

Ele desapareceu por um período antes de pedir ajuda para trabalhar e um local para morar. O homem afirmou ter tido problemas na Paraíba, mas que já teria cumprido parte da pena. 

Suspeito e vítima se desentenderam após sexo 

A Polícia Civil afirmou que, antes do crime, o suspeito estava bebendo em um bar no bairro Parque Cuiabá, onde teve contato com Roger. Após terem relações sexuais, os dois se desenteram. 

No entanto, mesmo com a discussão, o suspeito chamou o jovem para ir à casa onde ele morava. Para conseguir morar no imóvel, ele usava um nome falso. 

O investigado também usava CNH falsa no momento da prisão e se identificava como Paulo Soares de Melo. Ele foi preso em uma pousada em Urupês, no interior de São Paulo.
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