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Terça-feira, 28 de junho de 2022

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ASSASSINO EM SÉRIE

Tatuagens e modus operandi revelam perfil serial killer de preso pela morte de jovem com mais de 30 facadas em Cuiabá

Foto: Reprodução

Polícia investiga autoria do acusado em 4 homicídios.

Polícia investiga autoria do acusado em 4 homicídios.

Logo que chegou em Urupês, após assassinar Roger André Soares, 29 anos, com mais de 30 facadas, em Cuiabá, Juberlândio Diniz Alvarenga, 36 anos, se instalou em uma pousada da cidade do interior de São Paulo e passou a trabalhar como catador de limão. Na nova moradia, segunda maior produtora da fruta no Brasil, já mirava uma nova vítima. A vida dupla, tatuagens, modus operandi, e a capacidade de sentir prazer com crueldade são algumas das características de Juberlândio, que revelam o perfil serial killer do acusado. 

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No corpo, Juberlândio carrega tatuagens de figuras assustadoras. No peito, tem o personagem de ficção Hannibal Lecter, assassino e canibal em série. Enquanto nos braços, Jason Voorhees, um personagem da série de filmes Sexta-Feira 13, assassino conhecido por usar uma máscara de hóquei no gelo e um facão como principal arma de ataque. Entre as outras tatuagens, chamam atenção também uma caveira com duas armas e um palhaço nas costas.


Juberlândio tem diversas tatuagens no corpo. 

Assim como Jason Voorhees, que usava uma arma perfurocortante para assassinar suas vítimas, Juberlândio é investigado por cometer pelo menos três homicídios com uso de faca. No quarto da pousada onde foi preso, a Polícia Civil de Urupês também encontrou uma faca bem grande, furtada dias antes da cozinha do estabelecimento.

Questionado, Juberlândio afirmou ter pegado o objeto para cortar frutas. A Polícia, porém, apurou que o criminoso já teria se desentendido com um hóspede por causa de uma mulher e poderia estar prestes de cometer um novo assassinato. 

A última vítima do acusado, Roger André, acabou morto no bairro Parque Cuiabá, após ser atraído para um encontro sexual. Além dele, a Polícia recebeu informações de outros homicídios registrados na Paraíba e Pernambuco. Em todos os casos, as vítimas eram mortas com requintes de crueldade.  

Para o delegado titular Sérgio Augusto Ugatti Durão de Urupês, o modus operandi de Juberlândio bate com a de um serial killer. “Por conta dessas tipificações, a gente acredita que tenha algo comum. Principalmente por causa do último crime praticado em Cuiabá, em que ele desenhou com o próprio sangue da vítima três cruzes. Isso está batendo com as três mortes que atribuímos a ele”, disse em entrevista ao Olhar Direto. “Hoje surgiu outro rumor de um quarto homicídio em Pernambuco. Mas, ainda são informações preliminares que estamos checando a veracidade”, acrescentou.

Ugatti comandou a prisão de Juberlândio em Urupês, após investigação da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), presidida pelo delegado Olímpio da Cunha Fernandes Jr.
 
Na cidade com quase 14 mil habitantes, Ugatti montou um plano com seis policiais disfarçados. Enquanto dois se passavam por hóspedes e aguardavam na recepção pela chegada do alvo, quatro estavam em uma viatura ‘fria’, ou seja, descaracterizada.

Foi logo após chegar do trabalho, na tarde de quarta-feira (25), que Juberlândio acabou preso portando documento falso de Carteira Nacional de Habilitação (CNH). Antes de ser abordado, cumprimentou os investigadores com 'boa tarde'. 

No quarto onde dormia, além da faca, os agentes localizaram duas cartas escritas a mão com uma espécie de oração. Conforme o delegado Ugatti, Juberlândio aparenta ser obcecado pela figura de Jesus Cristo. A posição em que as vítimas foram encontradas, as cruzes e as orações demostram isso.

Embora não tenha apresentado resistência no momento da prisão, ao ser encaminhado à delegacia, o assassino não colaborou com a Polícia. Assumiu apenas o crime de uso de documento falso e não deu detalhes de como matou Roger.

“Se sentia bem”

Juberlândio estava com um mandado de prisão em aberto na Paraíba por crime de homicídio que vitimou José Pereira Bento, vulgo "Novinho", 41 anos. A vítima era alcoólatra e perambulava pelas ruas de Boa Ventura, mas era conhecido pelos moradores como uma pessoa que não fazia mal a ninguém.

No dia 29 de novembro de 2019, perto de Curral Velho/PB, cidade onde nasceu, Juberlândio assassinou “Novinho” com requintes de crueldade, desferindo golpes de faca na face, pescoço e membros superiores da vítima. A cena apresentava grande quantidade de sangue.

O assassino se aproveitou do vício da vítima e teria lhe oferecido bebida alcoólica. Ao ganhar a confiança do alvo, o colocou na garupa de sua moto e o levou até as proximidades de uma fazenda, onde atacou o homem sem que ele pudesse se defender.

Antes de fugir de sua cidade natal, ele confessou o crime a uma tia e ameaçou matá-la também, caso contasse algo para a Polícia. Mesmo distante, continuava a mandar mensagens à tia em que afirmava ter matado outras pessoas. No perfil do WhatsApp, ele ainda se intitulou como serial killer.  

Denúncia recebida pela Polícia Civil de Itaporanga relatava que Juberlândio seria uma pessoa antissocial, psicopata e teria matado “Novinho” por pura maldade.

“Movido pelo abjeto intento de satisfazer sua sanha assassina, conforme relato do próprio acoimado, que confessou para sua tia ter cometido o homicídio em testilha por se sentir bem ao assim agir”, detalha a denúncia obtida pela reportagem.

Durante investigação da DHPP de Cuiabá, constatou-se outros boletins de ocorrência em que o suspeito figura como autor de ameaça com arma branca e de uma tentativa de homicídio na Capital.

Caso Roger

Roger foi encontrado dentro de uma residência no bairro Parque Cuiabá, na região sul da Capital. O corpo apresentava diversas perfurações provocadas por arma branca e na sala da casa, os investigadores e peritos encontraram diversas manchas de sangue espalhadas no chão e paredes, indicando um cenário de 'filme de terror'. A vítima ainda teve o sangue usado para desenhar três cruzes em uma parede do imóvel onde morreu. A simbologia pode indicar que Roger era a terceira vítima.


Roger foi morto com mais de 30 facadas e seu sangue usado para desenhar cruzes. 

A equipe da DHPP apurou que a vítima não residia no local. Quem morava era o autor do crime, que teve o imóvel cedido pelo proprietário para moradia temporária. Ele usava um nome completamente diverso da identidade real.

O delegado Olímpio da Cunha, que conduziu o inquérito do caso Roger, disse que a investigação começou logo na cena de crime.

O corpo de Roger André foi localizado pela neta do proprietário do imóvel, que declarou ter recebido um telefonema da antiga companheira do criminoso, residente na Paraíba, de que algo teria acontecido. A testemunha foi até o imóvel e não localizou o morador, avistando somente a vítima no ambiente com marcas de sangue e já em óbito, quando então acionou a polícia.

A Polícia Civil apurou ainda que o autor do crime já teria trabalhado em 2016 para o dono do imóvel onde ocorreu o homicídio. Ele reapareceu, muito tempo depois, procurando trabalho e um local para morar e contou ter tido problemas com a justiça na Paraíba, mas que já teria cumprido parte da pena.

Durante a apuração conduzia pelo delegado Olímpio, a equipe da DHPP averiguou que, antes do crime, o autor ficou bebendo em um bar da região do bairro Parque Cuiabá, quando teve contato com a vítima. Após manterem relação sexual, os dois tiveram um desentendimento, contudo, o investigado chamou a vítima para ir até sua casa, onde assassinou Roger.

Um dia após o crime, Juberlândio pediu dinheiro para fugir a uma ex-namorada, uma mulher trans residente na Paraíba. A mulher negou ajuda financeira e ainda avisou a neta do proprietário do imóvel sobre a possibilidade de algo ter acontecido.

O fato dele usar roupas de manga durante o calor cuiabano chamou atenção de um funcionário do Terminal Rodoviário do Coxipó, que o reconheceu por uma fotografia.

Olímpio representou pela prisão preventiva de Juberlândio posteriormente decretada pelo Poder Judiciário. “A partir disso passamos a procurá-lo e sabíamos que ele tinha saído do estado e estava no interior de São Paulo. Entramos em contato com a Polícia Civil do município de Urupês, que passou a tentar localizar o suspeito. Na quarta-feira (25), os policiais obtiveram sucesso e o sucesso deles, da equipe, investigadores, reflete em nosso sucesso. Sendo nosso sucesso, transfere para sociedade um retorno da sensação de segurança. Uma pessoa dessa de alta periculosidade, quando tem sua liberdade restringida, isso se traduz em um sentimento de paz e justiça”, finaliza o delegado.

Após audiência de custódia, Juberlândio foi transferido para o Centro de Detenção Provisória de Icém (SP).

O inquérito do caso Roger deve ser finalizado nos próximos dias e remetido ao Poder Judiciário. 
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