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Quarta-feira, 10 de agosto de 2022

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RELAÇÃO DE LONGA DATA

Ala do agronegócio já admite possibilidade de vitória de Lula e discute investimento financeiro à campanha petista

Foto: Reprodução

Ala do agronegócio já admite possibilidade de vitória de Lula e discute investimento financeiro à campanha petista
A estratégia da chapa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de explorar a ligação que ele e Geraldo Alckmin (PSB) mantêm com lideranças do agronegócio não deve reverter em nenhum tipo de apoio público dos ruralistas. Para citar o exemplo de mato-grossenses, Lula tem boa relação com o ex-governador Blairo Maggi (PP) e Alckmin é próximo de Nilson Leitão (PSDB), mas Blairo e Leitão não devem pedir votos e nem se aproximar da chapa. Entretanto, com as pesquisas apontando boas perspectivas eleitorais, uma ala de grande produtores já discute contribuir financeiramente para a campanha petista e reconstruir pontes diante de um provável novo governo Lula.

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Alinhado com Jair Bolsonaro (PL) principalmente no que diz respeito à agenda dos costumes, o agronegócio justifica seu apoio ao atual presidente no fato de sua gestão ter ampliado a oferta de crédito para o setor, além da defesa pública do Governo Federal em prol de mudanças na legislação ambiental.

Para os ruralistas, Bolsonaro é uma figura mais “fácil” de lidar do que Lula no que diz respeito aos interesses econômicos e ideológicos do segmento.

Por outro lado, a preocupação com a imagem do Brasil no exterior caso Bolsonaro se mantenha no poder, bem como os resultados das últimas pesquisas de intenção de votos em que Lula permanece a frente de Bolsonaro, estão gerando movimentações no tabuleiro político.

Lula cita Blairo Maggi, a quem chama de “amigo”, em seus discursos já há algum tempo. O ex-governador de Mato Grosso, por sua vez, segue cauteloso sobre o assunto, mas não se preocupa em desmentir a relação com o petista.

Blairo se mantém distante de Lula, mas não se preocupa em desmentir relação já citada pelo petista. Foto: Ricardo Stuckert.

Fontes ligadas ao grupo explicaram ao Olhar Direto que a situação deve continuar assim pelo menos até a consolidação do 1º turno das eleições, mas afirmam que um núcleo duro do agronegócio no País já fala em investimentos financeiros na chapa Lula-Alckmin.

“Tem muito analista que já considera a vitória do Lula e o mercado financeiro já está há algum tempo avaliando os impactos de um eventual governo Lula. É só reparar, a cada nova pesquisa a Ibovespa sobe um ponto. Ninguém vai vestir a camisa agora, mas internamente são favas contadas”, sustentam.

Presidente do Instituto Pensar Agropecuária e consultor da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), o ex-deputado Nilson Leitão vive uma situação mais delicada. Apesar da relação com Alckmin e de sempre adotar um discurso mais moderado, o tucano integra atualmente a ala mais bolsonarista do agronegócio, além de manter base no Norte de Mato Grosso – um dos principais redutos de Bolsonaro no País.

“Simplesmente não tem como o Nilson abraçar essa campanha, da parte dele sem chance. Mas na política, é o que a gente sempre diz, nada é impossível. É claro que o Alckmin vai insistir nesse caminho e, o setor, tende a se mover em direção do poder. Eu vejo toda essa construção com algo muito natural”, pontuou um interlocutor.

Procurado pela reportagem, Nilson Leitão não retornou as ligações.
 
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