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Quarta-feira, 24 de julho de 2024

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enfraquecimento da operação

Procurador-geral critica politização da Lava Jato: 'quando criamos mitos, a gente comete um grande erro'

Foto: Reprodução/PodOlhar

Procurador-geral critica politização da Lava Jato: 'quando criamos mitos, a gente comete um grande erro'
O procurador-geral de Justiça de Mato Grosso (PGJ), Deosdete Cruz Junior, reconheceu erros na Lava Jato e apontou o que considera o ponto central do enfraquecimento da operação: a politização das investigações. Deosdete se posicionou sobre o tema no episódio quatro do PodOlhar, videocast do Olhar Direto, que já está disponível no YouTube.


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A Operação Lava Jato foi a mais longa da história da Polícia Federal. Durante sete anos, agentes federais foram às ruas em 79 fases da operação que desarticulou um esquema de corrupção envolvendo diretores da Petrobras, políticos, e executivos de grandes empresas.  As investigações da PF apontaram que diretores da petrolífera direcionavam licitações para que algumas empresas garantissem contratos milionários. Em troca, os executivos dessas empresas pagavam propina.
 
No Ministério Público Federal, a maioria das denúncias estavam a cargo da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba — coordenada pelo então Procurador da República, Deltan Dallagnol. Na justiça, os julgamentos, em primeira instância, foram conduzidos por Sérgio Moro, então juiz da 13ª Vara Federal de Curitiba.

A atuação de Deltan Dallagnol e de Sérgio Moro passou a ser questionada depois da Vaza Jata, série de reportagens que apontou conluio entre acusação e magistrado.
 
A Lava Jato segundo Deosdete
 
O procurador-geral de Justiça de Mato Grosso acredita ser “inegável” que a Lava Jato teve um papel de destaque, tirando “uma venda que existia nos olhos da própria Justiça para situações muito graves de corrupção”. Ainda segundo o PGJ, a grande crítica endereçada à Operação Lava Jato foi a politização dela. “Existe um saldo objetivo de que muita coisa não parou em pé”, explica o PGJ.
 
 “O primeiro ponto que devemos aceitar é que não existem super-heróis. O ser humano comete falhas, muitas vezes querendo acertar, acabam errando”, disse Deosdete ao PodOlhar. Ainda segundo o PGJ, é preciso evitar a personalização. “Quem precisa ser forte é a instituição. A partir do momento que criamos mitos, super-heróis, a gente comete um grande erro, isso precisa ser evitado”.
 
Deosdete comentou ainda que existe uma vedação constitucional para que membros do Ministério Público e do Poder Judiciário exerçam funções político partidárias. “Membro do MP - pelo poder de persecução - e o magistrado – pelo poder de julgar – não podem participar da vida político partidária”, salientou.
 
Para Deosdete, mesmo que promotores ou juízes peçam exoneração para entrar na vida política, há problema. “Fica muito escancarado quando alguém exerce uma função e vai para a vida político-partidário. Começo a me perguntar se tudo o que ela fez tinha isenção ou não, se já não era o objetivo”.
 
“Sou uma pessoa convencida de que a vida político/partidária é igual água e óleo para o Ministério Público e Poder Judiciário. Precisamos nos manter absolutamente distantes. Quer participar da vida político-partidária, saia do MP, construa uma vida”.
 
“Não sou daqueles que abominam os resultados da Lava Jato, escancarou um problema grave que não deixou de existir, mas quem precisa ser forte são as instituições, não super-heróis”, finalizou o procurador-geral de Justiça.
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