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Terça-feira, 23 de julho de 2024

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‘encontro inevitável’

Perri afirma que sociedade punitivista transforma presos em cães bravios: ‘com quem nós vamos nos deparar aqui fora?’

Foto: PodOlhar

Perri afirma que sociedade punitivista transforma presos em cães bravios: ‘com quem nós vamos nos deparar aqui fora?’
O desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), condenou a postura de grande parte da população em relação aos presos. Segundo o magistrado, prisão não é lugar de tormento e tortura. Além disso, é preciso pensar em que tipo de pessoa a população deseja ter contato após o cumprimento da pena. O desembargador participou do PodOlhar, podcast do site Olhar Direto conduzido pelo jornalista Airton Marques, em parceria com o também jornalista Arthur Santos da Silva.




“Nós temos uma sociedade muito punitivista e má, que considera que o preso tem que sofrer. Prisão não é destinada a sofrimento. Ela, por si só, já é um sofrimento. Mas, como eu disse, os presos não perdem os seus outros direitos. Não perdem. A nossa legislação garante esses direitos aos presos. Eles não têm que sofrer. Acabou-se o tempo em que a pena tinha que ser necessariamente de tormento, de tortura. Isso ficou na Idade Média. Aliás, a prisão é uma coisa nova. Vamos dizer assim, praticamente nova. Porque antes, a pena era de degredo, era de tortura, de morte. A prisão é uma coisa moderna. Mas não necessariamente tem que ser de sofrimento”, explicou o desembargador.
 
Orlando Perri é o presidente do Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário e Socioeducativo do Estado de Mato Grosso (GMF-MT). Por dentro da realidade das prisões no estado, questionou que tipo de pessoa a população quer ter contato após o cumprimento da pena.
 
“Antigamente, quando nós tínhamos um cachorro dócil na nossa casa e que nós queríamos torná-lo um cão de guarda, o que as pessoas faziam? Colocavam ele numa coleira e muitas dessas pessoas, ignorantes, batiam no animal para ele ficar bravio. É isso que nós estamos fazendo com os nossos presos. E vocês já pensaram o encontro que nós vamos ter com essas pessoas dentro de algum tempo? Porque no Brasil nós não temos prisão perpétua e nem pena de morte. Esse encontro vai ser inevitável. E quem nós vamos nos deparar aqui fora? Nós vamos querer nos encontrar com um 'viralatazinho' ou um pitbull raivoso. A verdade é que nós estamos transformando aquelas pessoas em pitbulls. Raivosos”, argumentou o magistrado.
 
Meritocracia
 
Pregando respeito a quem está no sistema penitenciário,  o desembargador defende ainda a oferta de emprego a quem está preso.
 
“É preciso que a população saiba que o crime organizado não permite que seus faccionados trabalhem e nem estudem. Talvez vocês não saibam disso. Não se pode trabalhar quem é faccionado. Então, muitas vezes, o que nós temos que fazer? Oferecer emprego às pessoas para que nós possamos tirá-la do crime organizado. Quando nós oferecemos um emprego para algum reeducando, nós estamos desempregando essa pessoa do crime organizado”, explicou.
 
Segundo Perri, no “Sine” do crime organizado, sempre existe vaga. “Quando nós voltamos as costas e fechamos as portas, aqui fora, a essas pessoas que pedem uma oportunidade, nós estamos mandando essa pessoa para o crime organizado, para o Sine do crime organizado. Nós temos que pensar nisso. Então, o nosso maior trabalho dentro do GMF é conversar com a sociedade e procurar fazê-la entender que é preciso mudar a nossa postura em relação às pessoas que cumpriram suas penas, para que nós possamos ter um país e uma cidade melhor”, finalizou.

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