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Domingo, 21 de julho de 2024

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Dona Domingas defende mulheres nas danças em que só homens participam, como o Cururu: ‘quebrei o patuá deles’

Foto: PodOlhar

Dona Domingas defende mulheres nas danças em que só homens participam, como o Cururu: ‘quebrei o patuá deles’
Com mais de 50 anos de atuação no resgate e manutenção da cultura cuiabana, a fundadora do grupo Flor Ribeirinha, dona Domingas, afirmou ser favorável a mudanças nas tradições que excluem as mulheres. Neste sentido, relembrou a própria história para defender a participação feminina em danças folclóricas em que a hegemonia masculina é existente desde sua criação, como o Cururu.


ASSISTA A ÍNTEGRA DO PODOLHAR COM A CRIADORA DO FLOR RIBEIRINHA, DONA DOMINGAS:


O Cururu é dançado nas festas de santo e funciona basicamente como um desafio de violeiros. São usados a viola-de-cocho e o ganzá. Nos desafios, cada violeiro desafia o outro, como um repentista. O tempo é marcado pela viola e pelo público, que acompanha cada verso e resposta. Os cururueiros cantam a história dos santos, levantam o mastro, rezam e recitam ladainhas em homenagem ao santo.

Em participação no PodOlhar, já disponível no Youtube, Domingas conta que em uma das festas de santo que participou decidiu realizar uma vontade que lhe acompanhava desde a juventude: a de entrar na roda dos cururueiros para um desafio.

“Antes no Cururu, os homens eram muito machistas, ele não gostava que mulher entrasse. E eu quebrei o ‘patuá’ deles lá numa festa de São Gonçalo, lá na minha comunidade. Meu tio nos ensinou a cantar Cururu e tocar instrumento. Nesse dia estava um ‘rodão’ muito bonito do Cururu e eu falei: ‘é hoje que eu quebro o patuá e eu vou entrar. Vou pedir licença. E vou entrar com o meu ganzá e vou tocar, vou cantar a toada”, disse.

“Falei: ‘com licença, hoje eu quero cantar, vou tocar um pouquinho, você me aceita essa roda?’ Aí, abriram a roda e falaram: ‘você pode. Você entra, porque você é a nossa mestra. Porque você foi a única mulher que lutou todos esses anos, né, para que nós preservássemos’”, completou.

Domingas ainda disse que a partir do momento que quebrou tal tradição, outras mulheres no estado passaram a também participar das rodas de Cururu.

“Nós temos poder. Já era (um incomodo). Eu ficava agoniada (...) e quando foi nesse dia, eu estava com uma vontade de cantar. Falei, hoje eu vou quebrar. É, agora tem mais umas mulheres por aí que cantam também. Falei, tem que abrir. E na próxima festa, eu vou estar lá cantando, vou abrir a roda”, pontuou.
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