O governador Mauro Mendes (União) manifestou críticas ao conjunto de medidas para controle de gastos anunciado pelo governo federal. Mauro afirmou que, apesar de reconhecer o esforço do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em ajustar as contas públicas, considera o impacto das medidas um "momento ruim da trajetória desse país".
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O pacote fiscal, detalhado pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na última quinta-feira (28), prevê mudanças na cobrança do Imposto de Renda, com isenção para quem ganha até R$ 5.000 a partir de 2026 e aumento da tributação para rendas acima de R$ 50.000. A iniciativa gerou reações negativas no mercado financeiro, levando o dólar a superar a marca histórica de R$ 6, refletindo dúvidas sobre a viabilidade e credibilidade das medidas.
Em seu discurso, Mauro destacou as consequências dessas incertezas para a economia, citando projeções de aumento na taxa de juros e pressão inflacionária. “Os juros já estão projetados para chegar a 14%, 14,5% no ano que vem. A inflação começa a bater à porta de todos nós”, afirmou. O governador pontuou que erros na condução das políticas públicas podem impactar diretamente a população.
O chefe do Executivo estadual usou o episódio para enfatizar a importância de decisões responsáveis na gestão pública. “Um erro de um governante, quem paga o preço, lamentavelmente, é a população que ele se diz representar. É por isso que tenho convicção de que continuarei agindo da mesma forma que entrei no dia 1º de janeiro de 2019, com trabalho, determinação e foco”, disse.
As críticas de Mauro ocorrem em um contexto de debates sobre as projeções econômicas apresentadas pela equipe de Haddad. Segundo o governo federal, as medidas devem gerar impacto de R$ 327 bilhões entre 2025 e 2030, mas especialistas apontam dúvidas quanto à sustentabilidade das projeções, especialmente no que se refere à compensação de perdas de arrecadação causadas pela isenção do Imposto de Renda.