O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT) publicou nota nesta quinta-feira (23) repudiando as acusações do prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), contra os médicos da rede municipal de saúde. O conselho afirma que o prefeito está tentando transferir a responsabilidade pelo colapso do sistema para os profissionais da área.
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Em outubro, o presidente do Conselho, Diogo Sampaio, declarou voto para o atual prefeito.
O posicionamento do CRM ocorre um dia após Abilio anunciar que tomará “medidas enérgicas” contra equipes das Unidades Básicas de Saúde (UBSs) que se recusarem a atender pacientes que buscam atendimento por demanda espontânea.
Nesta quarta-feira (22), Abílio publicou um vídeo em suas redes sociais afirmando que havia flagrado superlotação na Policlínica do Pedra 90, enquanto o postinho do bairro, que fica ao lado, estava vazio.
Segundo o CRM-MT, o prefeito está comparando de forma equivocada o atendimento em Unidades Básicas de Saúde (UBSs) com as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs).
“Comparar, quantitativamente, o número de pacientes atendidos como forma de medir a produção médica é irresponsável. Além do mais, muitas das consultas feitas em uma UBSs acabam sem registro no sistema por falhas do software utilizado pela Prefeitura de Cuiabá”, diz.
Falando justamente do caso do Pedra 90, o CRM diz que a realidade é que as UBSs 3 e 4 do bairro estão em reforma há pelo menos 8 anos, mas a obra ainda não foi concluída. E diz ainda que a autorização para a criação de mais 100 equipes de atenção primária não ocorreu no município.
“As UBSs não foram feitas para o atendimento de urgências e emergências. Usando como exemplo a iniciativa privada, elas funcionam como o consultório do médico, enquanto as UPAs são os Pronto-Atendimentos dos hospitais. Quando alguém tem dor, febre, vômitos e outros sintomas, esta pessoa não liga para marcar uma consulta, ela vai ao Pronto-Atendimento”, diz.
Ainda conforme o CRM, ao dizer que os pacientes classificados nas UPAs e policlínicas com classificação de risco verde, o prefeito dá a entender que estas pessoas poderiam ser atendidas nas UBSs. “Não é verdade.
O CRM diz também que essa postura do prefeito tem levado pacientes com problemas mais graves às unidades, colocando em risco a vida destas pessoas. “Embora sejam menos prioritários que aqueles com classificação vermelha ou amarela, estes casos também demandam cuidados na própria UPA”.
A nota do CRM-MT também critica a falta de investimento em exames e a demora no atendimento aos pacientes nas UBSs. O conselho alerta que a criminalização dos médicos tem contribuído para o aumento da violência contra os profissionais da saúde e que responsabilizará o prefeito por qualquer ato de ameaças, injúria, difamação, agressões e outros crimes praticados contra os médicos na rede pública de saúde.
"Ao criminalizar e, inclusive, ameaçar os profissionais de saúde de demissão, o prefeito tenta imputar a estas pessoas a situação caótica do sistema como um todo e, como em outros episódios, tenta criar uma cortina de fumaça, vendendo a ilusão de que um problema tão complexo possui uma solução simples", diz.
"O comportamento do prefeito, inclusive, contribui para o aumento no número de casos de violência contra médicos, verificado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM)".