O coordenador da Gerência de Operações Especiais (GOE), delegado Frederico Murta, comentou sobre a espetacularização do crime em produções audiovisuais e sua influência na percepção da segurança pública. Durante entrevista ao videocast PodOlhar, Murta destacou que a abordagem de personagens ligados ao crime organizado pode ganhar proporções exageradas, especialmente no mainstream.
A discussão ganhou força com a repercussão da série Cangaço Novo, que retrata a atuação de um grupo criminoso inspirado no cangaço nordestino. A produção gerou debates sobre a romantização do crime e seu impacto no imaginário popular. Apesar de não ter assistido à série, Murta avaliou que a exploração desses temas faz parte da arte, mas pode se tornar problemática quando há um destaque excessivo a criminosos.
“Isso faz parte da cena do cinema, de buscar um mocinho, uma perspectiva diferente. Alguns casos isolados, explorar isso, eu não vejo tanto problema. O que incomoda é quando vemos isso de uma maneira exagerada, principalmente na televisão e no mainstream, dando destaque excessivo a pessoas ligadas ao crime”, afirmou o delegado.
Além da representação do crime em filmes e séries, Murta também abordou o impacto da música na difusão de temas relacionados à criminalidade. O delegado fez uma distinção entre artistas que usam a arte para narrar sua vivência e aqueles que utilizam sua projeção para exaltar o crime.
“Uma coisa é o cantor que cresceu em uma situação difícil e usa a arte para falar sobre isso. Outra coisa é quem utiliza da música para fazer apologia ao crime ou enaltecer criminosos. Precisamos separar bem esses casos”, explicou.
A discussão envolve artistas como Oruan, cujas músicas geraram debates no cenário político e resultaram em projetos de lei que levam seu nome. Essas propostas buscam regulamentar conteúdos que possam ser considerados apologéticos ao crime, reacendendo o embate entre liberdade artística e segurança pública.
A representação do crime na cultura popular tem sido alvo de críticas e estudos sobre seus reflexos na sociedade. Enquanto defensores argumentam que a arte reflete a realidade de muitos jovens de periferia, críticos apontam que determinadas narrativas podem glamourizar a criminalidade e influenciar comportamentos.
Murta reforçou que o debate deve considerar tanto a liberdade artística quanto as consequências sociais. “O importante é entender o impacto que essas representações causam e manter o foco no combate ao crime”, concluiu o delegado.
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