O anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possível imposição de uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros causou repercussão entre lideranças do estado. Para o presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Leonardo Bortolin, a medida, se de fato for adotada, representaria um grave risco para a economia de Mato Grosso, especialmente por conta da forte relação comercial que o estado mantém com o mercado norte-americano.
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Apesar da gravidade da declaração, Bortolin acredita que se trata mais de uma estratégia de pressão do que de uma medida efetiva. Para ele, as consequências seriam tão negativas que o próprio governo americano deve repensar.
“É péssimo o tarifaço e acredito muito que isso não vai acontecer de fato. Pelo menos o que eu li até ontem, de madrugada, dava a entender que existe a possibilidade de só ter sido um tom de ameaça”, disse.
Ele destacou ainda o quanto a produção de commodities e o setor industrial de Mato Grosso dependem da importação de matéria-prima e de relações comerciais estáveis com o exterior.
“A gente sabe, principalmente pela produção das commodities e pela indústria que hoje passa a acontecer, qual é a importância, principalmente, da importação de matéria-prima para isso”, comentou.
Caso a medida se concretize, Bortolin teme que o estado sofra um abalo econômico significativo até que consiga estabelecer novos canais comerciais.
“Com certeza, traria um dano econômico muito grande para o Estado de Mato Grosso, até que o Estado consiga se reorganizar com outros centros consumidores ou importadores. Então, eu quero crer que isso, de fato, não vai acontecer”, afirmou.
Questionado sobre a possibilidade de redirecionar as exportações para países como a China, diante da aproximação do governo brasileiro com o país asiático, Bortolin defendeu a diversificação dos parceiros comerciais. Para ele, o Brasil não deve se restringir a uma única nação.
“É claro que hoje os Estados Unidos não são o único grande mercado consumidor. Eu defendo que o Brasil tem que ter um alinhamento não só com os Estados Unidos, não só com a Europa, não só com a China, como com a Índia também, que é o maior mercado consumidor hoje do mundo. Acredito que esse diálogo de abertura de mercados internacionais tem que existir. Mas eu sempre defendo a questão do fortalecimento comercial entre as Américas, ou seja, entre o Brasil e os Estados Unidos”, disse.
A carta de Trump ao presidente Lula também gerou polêmica ao associar a decisão ao que chamou de julgamento injusto do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Na avaliação de Bortolin, é inaceitável que interesses políticos internos do Brasil possam ser usados como justificativa para penalizar economicamente toda a nação.
“Com certeza a questão política está ultrapassando a questão econômica do Estado. Mas, olha, eu acredito que por este motivo ele não vai prejudicar uma nação inteira de mais de 200 milhões de habitantes. Não é possível que o maior líder mundial acabe prejudicando uma sociedade como um todo devido a uma situação política nacional”, ressaltou.