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Terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

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ENTREVISTA AO PODOLHAR

Filha de militar perseguido na ditadura, Natasha condena ataques à democracia


A médica e pré-candidata ao governo de Mato Grosso, Natasha Slhessarenko (PSD), afirmou que não é possível comparar a anistia política concedida às vítimas da ditadura militar (1964–1985) com a proposta atual de anistiar pessoas investigadas pelos ataques de 8 de janeiro de 2023, em Brasília. Filha de Leonardo Slhessarenko, ex-militar perseguido durante o regime, Natasha condenou os atos antidemocráticos e defendeu o respeito ao resultado das urnas como pilar essencial do Estado Democrático de Direito.

Durante participação no PodOlhar, Natasha relembrou episódios da infância marcados pela vigilância e pelas buscas na casa da família, em Cuiabá. “Eu me lembro de chegar em casa e estar o sofá todo revirado, com os fundos cortados, procurando documentos. Porque meu pai era tido como um cidadão de esquerda, um subversivo, um comunista”, relatou.

Seu pai, Leonardo Slhessarenko, formou-se na Academia Militar das Agulhas Negras em 1963 e, no ano seguinte, foi preso após se posicionar contra o golpe militar. Segundo documentos oficiais, ele foi acusado de “ostensiva e má conduta orientada” e de se declarar “de esquerda moderada”. Após 20 dias de prisão em Cruz Alta (RS), foi transferido compulsoriamente para Mato Grosso, onde passou a lecionar na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT). Mesmo fora do Exército, continuou sendo monitorado pelo Serviço Nacional de Informações (SNI), que chegou a classificá-lo em relatórios secretos como responsável por “doutrinação ideológica” no meio estudantil e por influenciar politicamente a então esposa, Serys Slhessarenko, ex-senadora por Mato Grosso.

Em maio de 2024, Leonardo recebeu o título de Anistiado Político Brasileiro, concedido pela Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania. A honraria reconhece oficialmente as vítimas de perseguição, violência, prisão, tortura ou exílio durante a ditadura. Além do pedido formal de desculpas do Estado, a anistia tem o objetivo de restaurar direitos civis e políticos violados e preservar a memória histórica do período.

Ao comparar o contexto histórico da anistia de seu pai com o debate atual sobre perdão judicial a envolvidos em atos antidemocráticos, Natasha destacou as diferenças fundamentais entre os dois momentos.
“Não dá para comparar. São coisas tão distintas, tão diferentes. A gente imaginar que uma idosa, ou qualquer pessoa, vá lá destruir um patrimônio público, isso não é exercício da democracia. Num jogo democrático, o resultado das urnas deve ser respeitado”, afirmou.

Para ela, a polarização política e a falta de diálogo têm comprometido o funcionamento das instituições. “Hoje se faz oposição pelo simples fato de ser oposição, para as coisas não andarem. O Congresso Nacional está parado. Eu sinto vergonha alheia de pensar nos grandes projetos travados por falta de consenso”, avaliou.

Natasha também ressaltou que os valores herdados do pai - justiça, integridade e compromisso com o bem público - orientam sua atuação profissional e política. “Meu pai sempre nos ensinou que, em qualquer profissão, é preciso fazer o melhor e agir com caráter. Esses valores estão no centro do que acredito”, afirmou.
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