Em meio à polêmica gerada por um áudio de conteúdo sexual e com ofensas direcionados à deputada estadual Janaina Riva (MDB), o ex-ajudante de imprensa apontado como autor das mensagens, Deliandson Milton da Silva, deu sua versão do caso em conversa com a reportagem do
Olhar Direto.
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Exonerado da Companhia de Desenvolvimento de Rondonópolis (Coder), ele não nega a autoria, mas classifica o episódio como uma "brincadeira descontextualizada" que foi usada como moeda política.
Deliandson afirmou que o áudio era destinado a um colega de longa data, com quem conversa há mais de 16 anos, e que os xingamentos foram uma "infração" e um "erro feio" em um contexto de descontração.
“É meu mesmo, mas esse áudio foi descontextualizado. Eu vou te falar de que forma vazou. Eu estava conversando com o meu amigo, e no áudio eu falo: ‘e aí meu, pancadão, assessor da futura senadora de Mato Grosso, Janaina Riva. Aí é onde eu cometi a infração, o crime seja lá o que for. (...) fala infeliz da minha parte. Mas eu jamais imaginei que numa brincadeira entre eu e ele, que é o meu colega há mais de seis anos, fosse parar em algum grupo de WhatsApp”, disse.
"Nesse mesmo áudio eu falo no final: 'ó, toca o dedo, mete em todos os grupos'... Resumindo, esse áudio caiu num grupo [de oposição ao prefeito], e aí, deu no que deu", explicou. “Eu respeito muito as mulheres, até porque eu sou pai de uma menina de 18 anos, eu tenho um filho de 21. ee tenho um esposo, eu tenho uma mulher", continuou.
Ele diz que a divulgação do material é uma estratégia para atingir o prefeito de Rondonópolis, Cláudio Ferreira (PL), porque a esposa dele é candidata a deputada estadual.
“Tudo isso aconteceu, eu quero ressaltar aqui, porque eles não querem me atingir, eles querem atingir o prefeito, e a mulher do prefeito é candidata a deputada estadual nas próximas eleições. O cara [Cláudio] está muito forte, hoje é uma liderança estadual, uma nova liderança, que derrotou o candidato da deputada Janaina, que foi o deputado Thiago Silva. Foi uma lapada muito grande, e eles não se conformaram com isso”, continuou.
O ex-servidor declarou que está pronto para fazer um pedido de perdão público. Ele acrescentou que, se Janaina aceitasse, ele se encontraria com ela para fazer seu pedido de desculpas e o pedido de perdão.
"Se ela [a deputada] marcar comigo, eu vou no gabinete dela e converso com ela, eu estou pronto... Eu não tenho receio nenhum de reconhecer o meu erro perante a sociedade de Mato Grosso", disse, se oferecendo para se pronunciar até mesmo na Assembleia Legislativa.
Além do cargo público que ocupava na Coder, Deliandson afirma que a situação o fez perder a sua paz. "Eu estou vivendo um inferno". "Agora aquele que não errou, pelo amor de Deus, atira a primeira pedra", questionou. “Eu sou um santo? Não sou. Eu errei feio e reconheço, é tanto que eu pedi perdão. Agora aquele que não errou, pelo amor de Deus, atira a primeira pedra. Isso transformou minha vida no inferno”
Ele relatou ter recebido ameaças de morte de uma pessoas e que por isso saiu da cidade. “Hoje eu recebi um áudio de uma ameaça de um senhor que diz que a deputada Janaina foi casada, eu acho que com o primo dele, sabe, mandando eu cavar um buraco porque ‘Os Riva’ vão me matar. (...). Mandou eu cavar um buraco porque eu assinei a minha sentença de morte, falando que povo é perigoso”, revelou.
O caso
O caso veio à tona após a deputada Janaina Riva registrar um boletim de ocorrência na noite de quinta-feira (6), relatando ter sido alvo de áudios com conteúdo sexual, misógino e ofensivo.
Segundo o B.O., o servidor aparece debochando da parlamentar e incentivando que o material fosse propagado em grupos de WhatsApp. A deputada afirmou ter sofrido constrangimento e abalo moral e classificou o episódio como violência política de gênero.
Janaina publicou um vídeo nas redes sociais, no qual afirmou que a agressão ultrapassa ataques pessoais e reflete o ambiente hostil enfrentado por mulheres que ocupam cargos públicos.