O deputado federal José Medeiros (PL) apresentou uma explicação 'inusitada' para as declarações que motivaram um pedido de cassação de mandato por quebra de decoro parlamentar. Segundo o parlamentar, suas falas durante sessão da CPMI do INSS não tinham como alvo a advogada Izabella Borges, mas seriam uma “reflexão literária” inspirada em Monteiro Lobato.
Leia também:
Medeiros minimiza embate entre Mauro e Eduardo Bolsonaro e joga culpa em 'narrativa' de Lula: "deve estar morrendo de rir”
“Eu disse o seguinte: que, de acordo com o livro ‘O Presidente Negro’, de Monteiro Lobato, existia um país chamado Banânia, e que tinha uns advogados que não defendiam o seu cliente, se preocupavam mais em aparecer e eram petulantes, que nem advogados de porta de cadeia. Embora bem preparados, foi isso que eu disse”, afirmou o deputado ao ser questionado.
Medeiros afirmou que não se arrepende das falas. “Eu estava falando de Banânia. Agora, se ela vestiu a carapuça, é outro problema”, declarou, antes de acrescentar que buscava valorizar a literatura nacional: “A literatura precisa ser levantada. Monteiro Lobato é um dos maiores escritores nossos. A gente tem que aproveitar o momento daquele para poder levantar a moral da literatura brasileira”.
O episódio ocorreu no dia 23 de outubro, durante sessão da CPMI que investiga supostas fraudes no INSS. Na ocasião, Medeiros se dirigiu à advogada Izabella Borges, que acompanhava uma depoente, chamando advogados de “porta de cadeia” e afirmando que “advogado de quadrilha não vai me fazer baixar o meu mandato. Eu represento o Estado. Cala a boca”.
As falas foram registradas em vídeo e repercutiram nacionalmente. Diante do episódio, o advogado Paulo Marcel Grisoste Santana Barbosa, de Mato Grosso, protocolou uma representação por quebra de decoro parlamentar no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, pedindo a cassação do mandato do parlamentar.
O pedido ainda passará por análise na Corregedoria Parlamentar, que tem prazo de 45 dias úteis para emitir parecer antes de um eventual envio ao Conselho de Ética e Decoro Parlamentar.