O prefeito de Cuiabá, Abílio Brunini (PL), reagiu com ironia ao ser questionado sobre a possibilidade de firmar acordos internacionais de segurança alimentar com os Emirados Árabes Unidos enquanto parte da população ainda enfrenta vulnerabilidade social na capital, comumente resumida pela persistência da chamada fila dos ossinhos.
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“São coisas distintas, e aí pra eu deixar bem claro. Primeiro, não tem mais fila dos ossinhos, né? Acabou. Tem? Ainda tem? Não, mas o Lula não ganhou a eleição? A picanha não tá na mesa?”, provocou Abilio, em alusão ao fato da fila dos ossinhos em Cuiabá ter sido tema de debate na campanha presidencial de 2022 e o combate a fome ser uma das bandeiras do presidente.
A fala ocorre após a viagem de Abílio aos Emirados Árabes Unidos, onde discutiu parcerias voltadas à segurança alimentar e à atração de investimentos para obras de infraestrutura em Cuiabá. Segundo o prefeito, a proposta envolve a instalação de cinco grandes obras viárias financiadas por grupos árabes em troca de acordos de fornecimento de alimentos certificados como halal, produzidos segundo normas islâmicas.
O governo árabe tem buscado ampliar sua rede global de segurança alimentar diante da dependência de importações. Já Mato Grosso, maior produtor de grãos e carnes do país, tenta consolidar-se como parceiro estratégico em exportações de proteína animal, soja e milho para o Oriente Médio.
Abílio disse que a fila “existe há mais de 20 anos” e que se tornou uma tradição associada à prática de açougues que doam restos de carne e continuará a existir independente do governadnte.
“Enquanto o dono do açougue abrir a porta dele e ele distribuir os ossinhos cortados, pode ser o presidente que for, que vai continuar tendo a distribuição da fila dos ossinhos [...] Essa narrativa que a esquerda pregou na época de Bolsonaro, que fez aquele terrorismo todo, ela parou agora. É que nem os cantores do Salve Amazônia, né? Não tem mais nenhum falando de salvar a Amazônia.”
Exportação halal e geração de empregos
Abílio defendeu que, apesar dos desafios sociais, Mato Grosso tem capacidade para garantir segurança alimentar aos Emirados Árabes Unidos, com base em acordos de exportação halal, nome dado ao modelo de abate respeitando as tradições islâmicas, e novos investimentos em infraestrutura.
“É sim possível. E a melhor forma pra gente poder resolver a situação é gerando emprego. Abrindo uma planta frigorífica aqui no nosso estado, aqui no nosso município, principalmente conectada à ferrovia e a todo aquele setor de produção de carne, é uma ótima oportunidade.”