O cardiologista intervencionista Juliano Slhessarenko afirmou que a ampliação dos serviços de cardiologia no sistema público de saúde não exige grandes investimentos financeiros, mas sim decisão política e gestão eficiente dos recursos disponíveis. A declaração foi dada durante entrevista ao PodOlhar.
Responsável por conduzir o primeiro procedimento de cardiologia intervencionista do Hospital Municipal de Cuiabá (HMC), o médico explicou que a unidade tem estrutura completa para oferecer atendimentos de alta complexidade, mas ainda atua de forma limitada.
“O HMC é um hospital muito bom, completo. Tem hemodinâmica estruturada, profissionais qualificados e anestesistas. Está tudo pronto, é só fazer. Falta vontade. Se quiser fazer, faz”, disse.
Segundo Slhessarenko, o tratamento de doenças cardíacas no SUS não é caro se comparado a outras áreas de alta complexidade, como a neurologia. Ele estima que com cerca de R$ 500 mil seria possível estruturar um serviço completo para atendimento de urgências cardíacas, como o infarto agudo do miocárdio.
“A cardiologia, que é a doença que mais mata, não é cara para tratar. O custo é menor que o da neurologia. O que falta é interesse político. Se quiser, dá para fazer muito gastando pouco”, afirmou.
O médico destacou que o HMC foi projetado para atender com eficiência, mas parte dos equipamentos permaneceu subutilizada nos últimos anos. Ele defende que a rede municipal poderia realizar mais procedimentos sem depender de transferências de pacientes para outras unidades.
“O paciente está dentro de um hospital que tem tudo, mas precisa sair para fazer o exame em outro lugar. Isso não faz sentido. A ideia é que o HMC também absorva esses casos, porque ele tem capacidade técnica para isso”, explicou.
Durante a entrevista, Slhessarenko também criticou a baixa valorização da cardiologia no debate público e entre os próprios pacientes. “As pessoas dão pouca importância ao coração. Muitas vezes se preocupam mais com a parte estética do que em investigar sintomas que podem indicar uma coronária obstruída”, observou.
O médico afirmou que a equipe tem trabalhado para consolidar o serviço e expandir a oferta de atendimentos, com apoio da gestão municipal.
“O prefeito Abilio Brunini é uma pessoa séria e quer ajudar. O que nós estamos tentando é construir algo duradouro. Esse primeiro passo no HMC foi importante”, concluiu.
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