Welliton Dantas, o encarregado de logística pecuária que nesta semana ganhou os holofotes por encabeçar um esquema de notas duplicadas que retirou dos cofres da Bom Futuro a bagatela de R$ 10 milhões, ao longo de dois anos, viva um estilo de vida completamente incompatível com seu salário declarado de R$ 7 mil e essa extravagância foi um dos fatores que fez a Bom Futuro acender um sinal de alerta.
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Funcionário que desviou R$ 10 milhões da Bom Futuro "ostentava" estilo de vida incompatível com salário
Dentre os frutos da ostentação de Welliton, com o valor desviado, estavam viagens, roupas de marcas, imóveis milionários, carros de marca e investimentos na casa do meio milhão de reais.
Em entrevista ao
Olhar Direto, o delegado que encabeça as investigações contou que os dois carros que ele possuía eram veículos do ano, O primeiro, um Hyundai Creta modelo Ultimate 1.6 TGDI que custa quase R$ 200 mil e que segundo informações apuradas pela reportagem, Welliton usava o carro de luxo para trabalhar.
O segundo carro, mais luxuoso ainda é um Volvo modelo XC90 que no Brasil chega a custar mais de R$ 600 mil e que segundo informações da Polícia Civil ele havia adquirido poucos dias antes da prisão.
O encarregado foi preso nesta quinta-feira (14) por equipes da Delegacia Especializada de Crimes de Estelionato, em uma ação coordenada pelo delegado Pablo Carneiro após uma denúncia da própria empresa que na noite de quarta-feira (13) conseguiu flagrar uma movimentação de mais de R$ 200 mil de Welliton.
O esquema consistia em clonar as notas fiscais dos transportes da Bom Futuro e com isso pagar uma empresa de um comparsa pelo serviço. O valor, logo depois, era repartido.
Pouco tempo depois da prisão de Welliton, seu comparsa, Vinicius, dono da empresa para os quais os transportes de Gado eram destinados, também foi preso e teve a prisão em flagrante convertida para preventiva.
Até a conclusão desta reportagem, Welliton ainda não tinha sido ouvido e aguarda audiência de custódia que decidirá se ele ficará preso ou se responderá ao processo em liberdade.
O caso continua a ser investigado e a Polícia Civil continua investigando possíveis outros envolvidos no esquema.
Em nota, a Bom Futuro afirmou que está colaborando com a investigação:
"A Bom Futuro informa que os fatos envolvendo o ex-colaborador estão sendo apurados pelas autoridades competentes. A empresa segue colaborando integralmente com as investigações.
Reforçamos que, há mais de 40 anos, nossa atuação é guiada pelos valores de integridade, transparência e respeito, que orientam todas as nossas relações e práticas internas.
Também reafirmamos publicamente nossa confiança nos mais de 7 mil colaboradores que, com ética, idoneidade e compromisso diário, representam o verdadeiro espírito da Bom Futuro.
É graças ao trabalho sério desses profissionais — que não compactuam com qualquer prática irregular — que seguimos fortalecendo nossa história, nossa cultura e os princípios que sustentam a Bom Futuro."