Um dos filhos de João Pinto, proprietário da área invadida na região da avenida Contorno Leste, assassinado em meio a disputa pela área, afirma que o prefeito Abilio Brunini (PL) está "impondo" a desapropriação das terras em favor dos que invadiram a propriedade. Ele sustenta que a família já propôs um acordo que contempla a doação e 5,7 hectares de terra.
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“No caso, foi uma conversa, foi uma comunicação, foi uma atitude compulsória. A gente não tem opção de escolha”, afirmou José Antonio, filho de João Pinto, nesta terça-feira (2), na Câmara de Vereadores de Cuiabá. “Eu só vim aqui porque a gente percebe que na mídia estão dizendo que é um acordo. Não é um acordo, é uma imposição”, reforçou.
A área em disputa foi invadida em 28 de fevereiro de 2023. Em fevereiro de 2024, João Pinto, proprietário do terreno, foi assassinado no local. No último fim de semana, Abilio declarou que fará a desapropriação para regularizar a ocupação e disse que a própria família tinha interesse na ação. A versão foi contestada por José Antonio, que detalhou a proposta rejeitada pela Prefeitura.
“A gente doou uma área de 5,7 hectares no lugar mais alto da propriedade, livre de enchentes, contemplando vias de acesso, e a prefeitura, infelizmente, por motivos que eu desconheço ainda, não aceitou essa doação”, disse. “Já existe a doação de uma área para atender os vulneráveis, porque é preciso estabelecer um critério, e esse critério foi estabelecido pelo governo do Estado. A gente se baseou, teve a baliza no relatório do Setasc.”
De acordo com José, a proposta de doação foi construída com a participação do Ministério Público e do Judiciário, através da participação do promotor Carlos Eduardo, do Ministério Público, e da juíza Adriana, responsável pela processo da disputa da área. Esse acordo já foi apresentado à Prefeitura de Cuiabá, mas não houve uma resposta até o momento, segundo informa José Pinto.
O filho do proprietário reforçou que a família tem buscado uma solução desde o início da crise, mas não aceita abrir mão da posse original.
“Meu pai perdeu a vida na propriedade. Meu pai perdeu a vida, ele trabalhou a vida inteira naquela propriedade. Eu cresci, nasci naquela propriedade. Meu pai foi humilhado, massacrado, e perdeu a vida no dia do aniversário da minha mãe. Não é questão de dinheiro.”
Questionado se deseja se desfazer da terra, foi enfático e fez um apelo ao prefeito Abilio Brunini. “De maneira nenhuma. Até por conta de questões que eu já acabei de afirmar, meu pai perdeu a vida de maneira covarde ali. [...] “A gente conversou, o senhor mesmo percebeu que a gente nunca tomou medida drástica nenhuma. A gente sempre foi resiliente, esperou todo o trâmite burocrático. Meu pai perdeu a vida nessa espera. E o que a gente quer, prefeito? Andar de mãos dadas com o senhor. O senhor foi eleito com esse viés da legalidade. Queremos fazer parte disso.”