O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou que a decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de manter o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) preso e com restrições de comunicação teria como objetivo isolá-lo politicamente e dificultar a articulação da direita para as eleições de 2026. A avaliação foi feita ao comentar os impasses internos do grupo político nas discussões sobre uma candidatura unificada.
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Segundo Abilio, as limitações impostas a Bolsonaro - que pode falar com familiares às terças e quintas-feiras por apenas 30 minutos, mediante autorização judicial - inviabilizam sua atuação como liderança política. “Isso é intencional do ministro Alexandre de Moraes, é o isolamento do Bolsonaro para que ele não tenha comunicação com a direita e não possa dar o norte”, afirmou. O prefeito comparou o caso ao período em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) esteve preso em Curitiba, em 2018. “O Lula, quando foi preso, deu entrevistas, organizou o partido e tinha liberdade de reunião. Já o Bolsonaro está sendo isolado politicamente.”
Abilio também defendeu que a prisão teria caráter político e não se compara, segundo ele, aos processos enfrentados por Lula. “O Lula foi preso por corrupção e lavagem de dinheiro. Já o Bolsonaro está sendo preso simplesmente para isolamento político dentro da construção de 2026”, disse. Apesar disso, afirmou que o ex-presidente continuará influenciando o grupo. “Ele vai conversar dentro dos 30 minutos que tem e vai dar os nortes para que a gente possa conduzir.”
As declarações ocorreram em meio ao debate sobre a fragmentação da direita na disputa presidencial do próximo ano. Enquanto governadores do campo conservador discutem alternativas, filhos de Bolsonaro e sua esposa, Michelle Bolsonaro, tentam ocupar o espaço deixado pela ausência do ex-presidente.
Nesta sexta-feira (5), o senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou que recebeu do pai a missão de se apresentar como pré-candidato à Presidência para enfrentar Lula em 2026. A indicação enfrenta resistência no Centrão, bloco que articula a construção de uma candidatura competitiva de oposição. Dirigentes de União Brasil, PP, Republicanos e PSD avaliam que não apoiarão nomes ligados diretamente ao ex-presidente, em razão da rejeição ao sobrenome Bolsonaro.
A situação da prisão do ex-presidente também tem interferido nas articulações internas. Nesta semana, Moraes negou pedido do vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ) para visitar o pai aos domingos. As visitas seguem regras da Polícia Federal (PF), que autorizam entrada de familiares apenas às terças e quintas-feiras, entre 9h e 11h, com limite de 30 minutos e no máximo dois visitantes por dia. A exceção é a filha mais nova, Laura, que pode entrar acompanhada de Michelle Bolsonaro.
Bolsonaro também tem direito a receber seus médicos, que possuem autorização permanente, desde que cumpram os protocolos da PF. A defesa tenta incluir um fisioterapeuta na lista, alegando necessidade para o tratamento de crises de soluço. Moraes pediu apresentação de recomendação médica específica antes de decidir.
A comparação com o período em que Lula esteve preso tem sido usada por aliados do ex-presidente para reforçar a tese de tratamento desigual. Nos seis primeiros meses da prisão em Curitiba, Lula recebeu 572 visitas, a maioria de advogados, além de 54 visitas sociais e 17 visitas religiosas. Entre os nomes que estiveram com o petista estavam Dilma Rousseff, Jaques Wagner, Chico Buarque, Martinho da Vila e o ator americano Danny Glover.
Para Abilio, mesmo diante das restrições, Bolsonaro deverá continuar orientando seu grupo político. “O mesmo Deus que fala comigo fala com o Bolsonaro e com outras lideranças. Ele vai nos guiar para que possamos tirar o PT do governo em 2026”, afirmou.