O empresário Eraí Maggi Scheffer defende a tese de que as exigências de segurança ambientais e a transição para o pós-petróleo com uso de combustíveis renováveis, como etanol, é a solução para o agronegócio e não um entrave, como visto por parte do setor. O argumento foi defendido na 6ª Reunião Plenária do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social Sustentável (CDESS), no Palácio Itamaraty, o “Conselhão” do presidente Lula, quando foi feita um balanço da COP30.
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“Pessoal estava chateado escutando a COP30. 'Poxa, e agora, petróleo fóssil é um problema, vai parar, vai ter que fazer mudança'. Eu falei: 'Você tá preocupado por quê, produtor? Você tem poço de petróleo? Você não tem poço de petróleo. Você tem soja, algodão, milho. É a nossa solução. A nossa solução é essa exigência ambiental e nós consumirmos biocombustível. Nossa fonte energética, o biocombustível, o agro resolve esse problema também’”, declarou Eraí, nesta quinta-feira (4).
Eraí afirmou que a transição energética passa pela valorização do biocombustível e do agro como solução ambiental. Segundo ele, cabe ao setor produtivo entender que o novo cenário global exige mudanças, mas são mudanças que colocam o Brasil em vantagem, e não em desvantagem.
Durante o evento, que reuniu representantes do governo federal, da sociedade civil e do empresariado, o empresário também reconheceu que o rigor ambiental imposto desde os primeiros mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi decisivo para consolidar o Brasil como potência agroexportadora.
“Encheu o saco, mas foi boa, presidente”, resumiu, ao lembrar que a pressão por rastreabilidade e regularização fundiária acabou sendo o diferencial competitivo do país frente a concorrentes globais.
No mesmo discurso, Eraí fez um resgate histórico da forma como o agronegócio foi impulsionado pelas políticas públicas dos governos Lula, com destaque para os investimentos subsidiados via BNDES e o destravamento do crédito internacional.
“Veio dinheiro de banco internacional para financiar o agro. Financiamento a longo prazo, 17 anos, 3 de carência, 3 de juros. Pra trator, quebrador, colheitadeira, pra tudo. Falei ‘esse governo é burro, meu Deus do céu’. Eu sei o que é conseguir um financiamento, o que eu chorei na frente de um gerente liberar um financiamento para comprar um quebrador de milho. E aí teve a vontade [do governo]. E aí o Brasil virou o que virou, com esses milhões de toneladas de produção e exportando. Então não foi burro”, disse.
Criado em 2003, no primeiro mandato de Lula, o Conselhão foi extinto por Jair Bolsonaro em 2019 e reativado em 2023. A proposta do órgão é funcionar como fórum plural de diálogo entre governo e sociedade na formulação de políticas públicas sustentáveis.