Deputados federais da ala bolsonarista de Mato Grosso votaram contra a cassação do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP). Coronel Assis (União), Coronel Fernanda (PL), José Medeiros (PL) e Rodrigo da Zaeli (PL) se somaram aos votos contrários e abstenções que impediram a obtenção da maioria absoluta de 257 votos necessária para a perda de mandato. No total, foram 227 votos favoráveis à cassação, 170 contrários e 10 abstenções.
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Da bancada mato-grossense, apenas Emanuelzinho (MDB) e Gisela Simona (União) votaram pela cassação. Juarez Costa (MDB) e Nelson Barbudo (PL) não votaram.
Antes de ir ao plenário, o processo teve parecer aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), que recomendou a perda de mandato.
Zambelli foi condenada duas vezes pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A primeira decisão tratou da invasão ao sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), realizada por ela e pelo hacker Walter Delgatti. A segunda foi pelo porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, em episódio no qual a deputada perseguiu e ameaçou um homem na véspera do segundo turno das eleições.
Após o resultado, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), afirmou que ingressará com mandado de segurança no STF para contestar a decisão da Casa Legislativa.
Caso Glauber Braga
Além do caso de Zambelli, também entrou em votação o pedido de cassação do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ). Articulação de aliados do psolista com membros do Centrão levou à substituição da perda de mandato e direitos políticos por uma suspensão das atividades parlamentares.
Os mesmos deputados mato-grossenses que votaram contra a cassação de Zambelli - incluíndo Barbudo - foram contrários à proposta de apenas suspender o mandato do deputado Glauber Braga (PSOL-RJ) sem cassá-lo. Apenas Emanuelzinho e Gisela manifestaram voto favorável à suspensão. Juarez não participou da votação.
A Câmara decidiu suspender Glauber Braga por seis meses. Foram 318 votos a favor, 141 contrários e três abstenções. O processo tratava de pedido de cassação decorrente dos embates físicos entre o deputado e o militante do MBL Gabriel Costenaro, além de discussão posterior com o deputado Kim Kataguiri (União-SP). O caso ocorreu em abril deste ano, após desentendimento verbal que evoluiu para empurrões e chutes, levando à atuação da Polícia Legislativa e à abertura de procedimento disciplinar.