O secretário de Estado de Cultura, Esporte e Lazer, David Moura, afirmou que o ponto de virada de sua carreira no judô ocorreu após ficar fora da disputa por uma vaga nas Olimpíadas, episódio que, segundo ele, redefiniu sua postura competitiva e influenciou diretamente os resultados que viriam depois. A declaração foi feita durante participação no PodOlhar, já disponível no YouTube e nas plataformas de áudio.
Moura relembrou o ciclo olímpico em que disputava a classificação com o também peso pesado Rafael Silva, o “Baby”, medalhista olímpico. Em competições daquele período, conforme registraram matérias esportivas à época, o brasileiro disputava vaga direta pelo ranking mundial e dependia de resultados simultâneos para garantir o passaporte. “Meu auge foi pós uma grande derrota, quando eu não fui para as Olimpíadas”, disse.
O ex-atleta afirmou que entrou no tatame torcendo pela derrota do adversário, postura que reconhece como equivocada. “Eu estava preocupado com o que não deveria. Fiquei torcendo, algo nada nobre da minha parte, para que meu adversário perdesse. Ele lutou antes de mim. Eu fiquei observando e torcendo para que ele não ganhasse, para que eu tivesse mais chance. E, quando entrei para a minha luta, perdi também”, relatou.
O episódio, segundo ele, marcou um divisor de águas. “Ali eu decidi aprender: focar apenas no que eu tinha controle. Esse momento me transformou mentalmente em outro atleta”.
O ajuste de rota refletiu diretamente no ciclo seguinte. Em 2017, Moura encerrou o ano como número um do mundo, foi vice-campeão mundial em Budapeste e acumulou vitórias em praticamente todas as competições disputadas. “Foi o melhor ano da minha carreira. É muito especial olhar para trás e ver que minha trajetória foi quase impossível. Sair de Cuiabá, sair de Mato Grosso, e em sete ou oito anos chegar ao número um do mundo”, afirmou.
O secretário também comentou as dificuldades de iniciar a carreira de alto rendimento vivendo em Mato Grosso, longe dos grandes centros esportivos. “Sempre ouvi que precisava sair daqui. Mas decidi ficar e construir o que eu pudesse construir daqui mesmo”, disse. Segundo ele, a base estruturada com apoio familiar e a chegada de atletas de outras regiões transformaram Cuiabá em um polo de treinamentos de pesos pesados no país.
Moura relatou ainda o início da relação com o Instituto Reação, fundado pelo medalhista olímpico Flávio Canto, onde passou a treinar no Rio de Janeiro e, posteriormente, trouxe o primeiro polo para Cuiabá em 2016. O trabalho social, segundo ele, influenciou sua visão sobre serviço público e oportunidades.
A transição para a gestão ocorreu após a aposentadoria das competições, em 2021. Ele afirma que já se preparava para o pós-carreira com estudos, cursos e planejamento financeiro. O convite para integrar o governo veio em seguida. “Sempre tive essa vontade interna de servir. Meu pai dizia que o judô é o caminho, não o fim. Samurai significa ‘separado para servir’. Servir à comunidade é o aluguel que se paga para estar no mundo”, disse.
Secretário desde junho de 2024, Moura afirma que leva para a gestão a mesma lógica aplicada no esporte de alto rendimento. “O atleta busca dificuldade. Cada obstáculo é um aprendizado. Tento aplicar isso na secretaria”, declarou.
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