Quase metade da exploração ilegal de madeira em Mato Grosso ocorreu em áreas protegidas :: Notícias de MT | Olhar Direto

Olhar Direto

Sábado, 17 de janeiro de 2026

Notícias | Meio Ambiente

em 2024

Quase metade da exploração ilegal de madeira em Mato Grosso ocorreu em áreas protegidas

Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Quase metade da exploração ilegal de madeira em Mato Grosso ocorreu em áreas protegidas
Quase metade da exploração ilegal de madeira registrada em Mato Grosso em 2024 ocorreu dentro de áreas protegidas. Um estudo da Rede Simex aponta que 46% da extração irregular — equivalente a 22,4 mil hectares — aconteceu em Terras Indígenas (TIs) e Unidades de Conservação (UCs). O volume representa um aumento expressivo de 85% em relação ao período anterior, considerando dados de agosto de 2023 a julho de 2024.


Leia mais
‘Não sofro por antecipação’, minimiza Mauro Mendes após PL nacional garantir Fagundes ao governo em 2026

No total, foram mapeados 190 mil hectares de florestas nativas exploradas para fins madeireiros no estado. Desses, 74% (141 mil hectares) ocorreram de forma legal, com autorizações válidas. Os outros 26% (49 mil hectares) foram considerados ilegais, um crescimento de 2% na comparação com o ano anterior.

A análise revela ainda uma mudança no perfil da ilegalidade. Enquanto imóveis rurais privados antes respondiam pela maior parte da exploração irregular, em 2024 essa modalidade atingiu o menor índice da série histórica do Simex Mato Grosso, monitorado pelo Instituto Centro de Vida (ICV) desde 2013. Foram 22,8 mil hectares explorados de forma ilegal nesses imóveis, mais da metade concentrada em apenas 30 propriedades.



O avanço mais crítico, contudo, ocorreu em áreas protegidas. Nas Terras Indígenas, foram 17,8 mil hectares explorados irregularmente, enquanto nas Unidades de Conservação o número chegou a 4,6 mil hectares. Entre as mais afetadas estão as TIs Aripuanã e Parque do Xingu, além da Reserva Extrativista Guariba/Roosevelt e do Parque Estadual Tucumã, em Colniza.

Para o coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do ICV, Vinicius Silgueiro, o cenário evidencia falhas de fiscalização e ameaça compromissos ambientais do estado. “Essa exploração ilegal acarreta degradação do habitat, perda de biodiversidade e eleva o risco de incêndios. Em terras indígenas, viola direitos constitucionais e compromete a sobrevivência física e cultural dos povos”, afirmou.

Segundo Silgueiro, a atuação irregular também compromete a economia formal. “Essa ilegalidade enfraquece todo o sistema de controle ambiental e cria concorrência desleal, prejudicando empresas que investem em boas práticas, agregação de valor e certificações.”

Entre as soluções apontadas pelo especialista estão o fortalecimento da fiscalização, melhorias na rastreabilidade e transparência, incentivo ao manejo florestal sustentável e uso eficiente do Sisflora 2.0. “A fiscalização precisa ser mais focada, ágil e punitiva para desmantelar as cadeias ilegais. E é essencial garantir que o Sisflora 2.0 seja preciso e efetivo, não apenas uma ferramenta burocrática”, destacou.

Sobre a Rede Simex

Integrada pelo Instituto Centro de Vida (ICV), Imazon e Imaflora, a Rede Simex monitora e mapeia áreas de exploração madeireira e cruza esses dados com autorizações ambientais. Em Mato Grosso, as análises contam com cooperação técnica entre o ICV e a Coordenadoria de Geoprocessamento e Monitoramento Ambiental (CGMA) da Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema-MT).
Entre no nosso canal do WhatsApp e receba notícias em tempo real, clique aqui

Assine nossa conta no YouTube, clique aqui
 

Comentários no Facebook

Sitevip Internet