A deputada federal Gisela Simona (União) afirmou que o Projeto da Dosimetria, aprovado na Câmara dos Deputados nesta semana com o apoio da maioria da bancada de Mato Grosso, representa um “ponto de equilíbrio” entre a pressão pela anistia e a defesa das punições impostas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) aos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro.
Leia também
Família procura por jovem de 25 anos que sumiu após trabalho e foi vista conversando com amiga em moto
Para a deputada, o texto aprovado contribui para “pacificar o país” após sucessivos embates políticos que travaram votações ao longo da legislatura.
“O PL da dosimetria vem com um equilíbrio maior no sentido de pacificar o país. Ele não atende à extrema-direita, mas dá uma resposta para quem não praticou violência contra pessoas no 8 de janeiro”, afirmou.
Gisela também rebateu a narrativa de que o projeto teria sido construído para favorecer o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Segundo ela, ao contrário do que setores bolsonaristas têm divulgado, o ex-presidente não terá um benefício amplo, já que foi condenado como mandante dos atos e, portanto, não se enquadra nos dispositivos mais brandos do projeto.
“É importante restabelecer a verdade. Bolsonaro não será largamente beneficiado. Pelo estudo técnico apresentado à Câmara, a pena dele cairia de 27 para 21 anos”, explicou.
A parlamentar reforçou que qualquer possibilidade de progressão de regime depende de critérios legais e não se trata de anistia ou perdão, como parte da oposição tem sugerido.
O tema vinha travando sessões na Câmara desde o início da legislatura. A versão inicial do projeto previa anistia para todos os envolvidos nos ataques, mas essa possibilidade foi retirada na redação final, que apenas ajusta o cálculo das penas para crimes cometidos no mesmo contexto.
A votação ocorreu na madrugada de quarta-feira (10), após impasse entre partidos do Centrão e negociações conduzidas pela Mesa Diretora. Entre os oito deputados federais de Mato Grosso, apenas Emanuelzinho (MDB) votou contra. Juarez Costa (MDB) não registrou voto. Todos os demais, incluindo Gisela, Coronel Assis (União) e os deputados do PL, apoiaram a proposta.