A Terra Indígena Sararé, localizada na região de Vila Bela da Santíssima Trindade (522 km de Cuiabá), lidera o ranking nacional de TIs com maior área desmatada no ano passado. De acordo com o Fórum Brasileiro de Segurança Pública, houve um aumento exponencial no desmatamento entre 2023 e 2024, após a facção criminosa Comando Vermelho ter assumido o controle direto das cadeias de extração mineral na região.
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Os dados foram divulgados na 4ª edição da publicação “
Cartografias da Violência na Amazônia”. A TI Sararé fica localizada entre os municípios de Vila Bela da Santíssima Trindade, Nova Lacerda e Conquista D’Oeste.
A antiga capital de Mato Grosso, inclusive, está entre as cidades de pequeno porte (até 20 mil habitantes) com maior número de mortes violentas registradas em 2024 no país, um total de 42. A publicação do Fórum Brasileiro de Segurança Pública atribui esta situação à intensificação do garimpo ilegal na TI Sararé. No ano passado, a terra indígena teve 28,65 km² de área desmatada.
“Recordista em desmatamento e garimpo ilegal em 2024, a terra indígena enfrenta agora uma crise de segurança pública agravada pelo avanço do Comando Vermelho, que deixou de atuar de forma periférica nos garimpos para assumir o controle direto das cadeias de extração mineral. A facção passou a impor regras, cobrar tributos, disciplinar trabalhadores e controlar a circulação de pessoas e insumos na região”, diz trecho da publicação.
Isso refletiu nos índices de violência, sendo que na região da TI Sararé, os assassinatos passaram de 13 em 2022 e 24 em 2023 para 46 em 2024. O desmatamento ocorre justamente por causa do crescimento do garimpo ilegal. De acordo com o relatório “Ouro Tóxico” do Greenpeace, de 2023 para 2024, foi observado um aumento de 93% na área destruída pelo garimpo ilegal de ouro na TI Sararé.
Porém, esta não é a única causa. Segundo a publicação do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, “outras atividades também contribuem para a exploração do território. A principal delas é o desmatamento para a expansão do agronegócio, especialmente para monocultura de grãos produzidos na região”.