O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), reconheceu que a capital enfrenta problemas estruturais, como ruas tomadas pelo mato e deficiências na manutenção urbana, mas afirmou que a gestão registrou avanços no primeiro ano de mandato, especialmente na área fiscal e em investimentos em serviços públicos. As declarações foram feitas na última semana, durante reunião considerada tensa com empresários da indústria.
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O encontro foi convocado pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis de Mato Grosso (Creci-MT) e pela Associação das Empresas do Distrito Industrial (AEDIC), com foco na discussão sobre o aumento do Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e do Imposto Sobre Serviços (ISS) em Cuiabá.
Durante a reunião, Abilio destacou a situação financeira herdada pela atual administração e afirmou que houve redução significativa dos chamados restos a pagar. Segundo ele, a gestão recebeu cerca de R$ 2 bilhões em dívidas de exercícios anteriores e conseguiu reduzir o passivo para R$ 252 milhões entre 2025 e 2026. Ainda de acordo com o prefeito, somente em 2025 foram pagos mais de R$ 1 bilhão em compromissos, por meio de acordos e renegociações.
Abilio também citou ações implementadas pela prefeitura, como a gratuidade do transporte público aos domingos, a extinção da taxa de lixo cobrada das residências, investimentos superiores a R$ 40 milhões na educação, a construção do Centro Médico Infantil, obras de pavimentação em bairros como o Residencial Coxipó, recuperação de parques e praças e a aquisição de mais de R$ 60 milhões em medicamentos e insumos para a rede municipal de saúde.
Ao tratar da origem dos recursos, o prefeito fez questão de afirmar que os investimentos não tiveram apoio do governo federal. Segundo ele, os valores aplicados não vieram do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), mas da arrecadação de impostos como ISS, IPTU e ITBI.
Apesar de destacar os avanços, Abilio reconheceu que ainda há demandas não atendidas e cobrou compreensão dos empresários quanto à necessidade de ajustes na política tributária. Ele afirmou que a cidade ainda apresenta problemas visíveis, como falta de manutenção em vias e espaços públicos, e que a solução passa pela ampliação da capacidade de investimento do município.
Nesse contexto, o prefeito defendeu a revisão das políticas de incentivo fiscal e a necessidade de ajustes na cobrança tributária sobre o território urbano, argumentando que as medidas devem buscar equidade e justiça fiscal para viabilizar novos investimentos e a continuidade das ações da gestão municipal. Segundo ele, a nova área prioritária para concessão de incentivos de ISS será o Centro Histórico de Cuiabá, como estratégia para reocupar, revitalizar e dar nova dinâmica econômica a uma região que hoje sofre com abandono estrutural e perda de atividade.
“Não estamos acabando com incentivos por capricho. Eles cumpriram um papel no Distrito Industrial, mas agora precisamos direcionar esse estímulo para onde a cidade mais precisa. O Centro Histórico está esvaziado, degradado, e precisa voltar a ter vida, emprego e circulação de pessoas”, afirmou Abilio Brunini, ao destacar que a medida busca “ressuscitar” o coração histórico da capital.
O prefeito também explicou que o projeto que trata do ISS foi aprovado pela Câmara Municipal sem votos contrários e ressaltou que as mudanças não atingem empresas enquadradas no Simples Nacional. De acordo com ele, a proposta corrige distorções que permitiam que empresas apenas com sede fiscal no Distrito Industrial se beneficiassem de incentivos, mesmo sem relação direta com a vocação produtiva da área.
Abilio destacou ainda que o debate é complexo, especialmente diante das transformações trazidas pela reforma tributária nacional, que extinguirá o ISS a partir de 2032. “Temos poucos anos para organizar as finanças do município, investir em infraestrutura e preparar Cuiabá para essa nova realidade tributária”, pontuou.