O deputado estadual Júlio Campos (União) criticou a postura do governador Mauro Mendes (União) em relação à Revisão Geral Anual (RGA) dos servidores públicos estaduais, especialmente quanto à recusa dele em negociar o pagamento do passivo acumulado nos últimos anos.
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Para Júlio, o tom adotado pelo governador é inadequado, sobretudo diante do cenário fiscal do Estado e do projeto político dele.
“Eu vi essa declaração [de não recuar um milímetro] e achei um pouco dura, para um pré-candidato ao Senado Federal, com três meses de mandato, um Estado que está com recurso próprio”, disse.
Na avaliação do deputado, a situação financeira de Mato Grosso permitiria um diálogo mais equilibrado com os servidores.
“Em 2024, nós fechamos com 11 bilhões em caixa, sobra de caixa, 11 bilhões de reais. Só em 2025 não temos a certeza de quantos bilhões temos aplicado hoje. Então, não há porquê ficar essa guerra, essa dificuldade de darmos uma compensação salarial melhor para os servidores de Mato Grosso”, afirmou.
“Até porque houve agora, no final do ano, algumas coisas muito ruins. Alguns servidores de carreira do Estado receberam premiações de 300 mil reais. Lá no Judiciário, vetou o aumento do Judiciário, lamentavelmente. A Assembleia manteve o veto do governador, que ia dar aquele aumento de 6,8% para os servidores do Judiciário e, o que ocorreu, o dinheiro previsto foi repactuado entre membros da magistratura”, completou.
Questionado sobre a possibilidade de endurecimento dos servidores, inclusive com uma greve geral, Júlio defendeu o diálogo como caminho ideal.
“O ideal é não precisar desse mau relacionamento e ter que ter uma greve. O ideal é para o Estado conscientizar, o chefe dos poderes conscientizar que realmente há uma defasagem muito grande do salário”, declarou.
O deputado citou ainda a diferença de remuneração entre os Poderes.
“Aqui na Assembleia Legislativa, o nosso salário, o servidor menos categorizado recebe o salário mínimo, 1.621 e mais uma verba indenizatória de 2 mil reais, 3.600 reais, esse aqui da Assembleia. Mas tem órgãos estaduais que o cidadão não recebe isso", comentou.
RGA e pressão dos servidores
O governo encaminhou à Assembleia Legislativa o projeto de lei que concede RGA de 4,26% aos servidores públicos estaduais, índice baseado no IPCA divulgado na última semana. O impacto estimado é de R$ 1,04 bilhão aos cofres públicos, com custo mensal aproximado de R$ 80 milhões na folha de pagamento de todos os poderes.
Caso o projeto seja aprovado, o reajuste será incorporado já no próximo salário, previsto para pagamento no dia 30. O percentual, no entanto, ficou abaixo dos 4,56% estimados anteriormente na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).
Apesar disso, os servidores não descartam greve caso o governo não abra negociação para quitar o passivo acumulado de 19,52% da RGA.