O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, afirmou que o Governo de Mato Grosso estuda o modelo de ônibus que irá operar no corredor do BRT em Cuiabá e Várzea Grande e que as conversas sobre o Bonde Urbano Digital (BUD) estão adiantadas. As declarações foram feitas durante entrevista ao PodOlhar.
Segundo o secretário, a obra em execução não se limita ao conceito tradicional de BRT. Ele explicou que o projeto prevê a implantação de um corredor com infraestrutura dedicada, sem interferências do tráfego local, o que permitirá maior fluidez para ônibus e também para veículos de emergência, como ambulâncias, viaturas policiais e táxis. “É uma infraestrutura que garante prioridade real ao transporte coletivo, sem as interferências comuns de comércio, estacionamentos e acessos diretos”, disse.
Marcelo destacou que as intervenções ocorrem nos principais corredores viários da região metropolitana, como as avenidas da FEB, Tenente-Coronel Duarte (Prainha), XV de Novembro, CPA e Miguel Sutil, todas com grande volume diário de tráfego. De acordo com ele, a complexidade das obras está diretamente relacionada ao fato de Cuiabá e Várzea Grande concentrarem cerca de 1,1 milhão de habitantes que utilizam esses eixos de circulação.
O secretário relatou que o andamento do projeto foi impactado por problemas contratuais e por dificuldades enfrentadas na fase inicial da obra. Ele citou falhas de empresas integrantes de consórcios contratados e a ausência de apoio institucional da gestão do ex-prefeito Emanuel Pinheiro (PSD), o que teria dificultado o acesso às vias para levantamentos técnicos e elaboração de projetos. Após a rescisão do contrato, uma nova licitação foi realizada para dar continuidade às obras.
Marcelo explicou ainda que o modelo adotado é o Regime Diferenciado de Contratação Integrada (RDCI), no qual o anteprojeto inicial é detalhado até a elaboração do projeto executivo durante a execução. Segundo ele, esse processo tem revelado interferências não previstas, principalmente relacionadas à drenagem urbana, exigindo ajustes técnicos ao longo da obra.
Como exemplo, o secretário citou intervenções realizadas na Avenida da Prainha, na região do Shopping Popular, onde foram implantados bueiros por método não destrutivo para melhorar o escoamento das águas pluviais, sem a necessidade de abertura da via. Ele afirmou que estruturas com diâmetro de um metro já estão em funcionamento e devem reduzir alagamentos no período chuvoso.
Outro ponto abordado foi a definição do modelo de ônibus que irá operar no corredor. Segundo Marcelo, a escolha do veículo influencia diretamente o projeto das estações, uma vez que cada modelo possui altura, posicionamento e quantidade de portas diferentes. “As estações dependem do ônibus, e o ônibus depende da estação. Uma decisão está ligada à outra”, afirmou.
O secretário disse que a opção não será pessoal, mas baseada nas melhores alternativas disponíveis no mercado. Ele ressaltou que a intenção do governo é evitar a adoção de veículos a diesel e buscar soluções mais atuais. Nesse contexto, confirmou que o governo tem avançado nas conversas sobre o BUD, modelo já visitado por integrantes da gestão estadual em Curitiba, incluindo o vice-governador Otaviano Pivetta (Republicanos) e o secretário de Fazenda, Rogério Gallo.
De acordo com Marcelo, a avaliação do BUD ocorre de forma paralela à execução das obras do BRT e não interfere na conclusão do trecho em andamento. A previsão, segundo ele, é entregar até 30 de março o ramal que liga Várzea Grande ao Terminal do CPA. Após essa etapa, os trabalhos devem avançar para o ramal do Coxipó, que parte do terminal próximo ao viaduto do Parque Cuiabá e segue pelas avenidas Fernando Corrêa da Costa e Coronel Escolástico até a região central.
O projeto do BRT prevê dois corredores. O primeiro liga o novo Terminal de Várzea Grande, nos fundos do Aeroporto Marechal Rondon, ao Terminal do CPA, passando pela Avenida João Ponce de Arruda, Avenida da FEB, travessia do Rio Cuiabá e pelas avenidas Tenente-Coronel Duarte e XV de Novembro. O segundo ramal conecta o Terminal do Coxipó ao centro de Cuiabá.
Marcelo afirmou que se trata de obras de alto impacto urbano e que exigem decisões firmes do poder público. Segundo ele, intervenções viárias em cidades consolidadas tendem a deslocar gargalos ao longo do sistema, o que demanda planejamento contínuo e novas obras ao longo do tempo para melhorar a fluidez do trânsito.
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