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Sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

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ENTREVISTA AO PODOLHAR

Secretário detona Ibama por duplicação da MT-251 e explica túnel no Portão do Inferno



O secretário de Estado de Infraestrutura e Logística, Marcelo de Oliveira, criticou a atuação do Ibama e do ICMBio diante da duplicação da MT-251, principal acesso a Chapada dos Guimarães, e afirmou que a postergação do licenciamento tem colocado vidas em risco. As declarações foram feitas durante entrevista ao PodOlhar.

Segundo o secretário, o volume de tráfego na rodovia aumentou de forma significativa, especialmente nos fins de semana, e a situação atual da estrada representa risco constante de acidentes. Para ele, a demora na autorização ambiental para a duplicação não se justifica diante do impacto humano envolvido. Marcelo questionou até quando os órgãos ambientais irão adiar a obra e defendeu que eventuais impactos ambientais devem ser avaliados em equilíbrio com a preservação da vida.

O trecho citado pelo secretário compreende parte da MT-251 entre o entroncamento com a MT-351, que dá acesso ao Lago do Manso, e a entrada de Chapada dos Guimarães. A duplicação desse segmento integra os planos do Governo de Mato Grosso para melhorar o acesso a um dos principais destinos turísticos do estado.

Marcelo afirmou que o governo prepara a licitação da duplicação, mas reconheceu que o processo ainda depende de definições junto ao Ibama. Ele ressaltou que, paralelamente, o Estado tem buscado alternativas para garantir o acesso à região, como a pavimentação da rota pela Água Fria, passando pela Colônia, em direção a Chapada, obra que, segundo ele, está em fase final.

Durante a entrevista, o secretário também detalhou a decisão do governo pela construção de um túnel no Portão do Inferno, após a identificação de riscos geológicos no local. Ele explicou que o problema foi identificado a partir de relatórios técnicos que apontaram instabilidade no maciço rochoso, levando o governo a aprofundar os estudos.

Inicialmente, a alternativa analisada foi o retaludamento do morro, mas a proposta foi descartada após restrições impostas pelo ICMBio, que vedaram o uso de concreto, retirada de vegetação e instalação de mantas de contenção. De acordo com Marcelo, essas limitações inviabilizariam a segurança da solução e poderiam gerar novos deslizamentos.

Com isso, o governo optou pela construção de um túnel, cujo procedimento licitatório já está em andamento. O secretário explicou que o material da região é predominantemente siltoso, sem presença significativa de rocha, o que dispensa o uso de explosivos na escavação. Ele afirmou ainda que a área apresenta fraturas e microabalo constantes, monitorados por sismógrafos instalados no local.

Marcelo destacou que a decisão de restringir a passagem de caminhões e ônibus pelo Portão do Inferno foi tomada após constatação técnica de que a circulação desses veículos gera vibrações prolongadas, capazes de comprometer ainda mais a estabilidade da encosta. Segundo ele, a medida foi necessária para reduzir o risco de colapso da estrutura e garantir a segurança dos usuários da rodovia.

O secretário também explicou por que a alternativa de um viaduto foi descartada. Segundo ele, além do impacto visual significativo na paisagem do parque, a obra teria custo estimado em cerca de R$ 400 milhões, contra pouco mais de R$ 70 milhões previstos para o túnel. Além disso, a construção de uma ponte exigiria fundações profundas e grandes vãos, em uma área de difícil acesso geológico.

De acordo com Marcelo, o túnel é a solução mais rápida e viável para o local. Ele afirmou que a obra segue o modelo de Regime Diferenciado de Contratação Integrada (RDCI), com prazo estimado entre 210 e 250 dias para execução após a fase de detalhamento do projeto, mas que a expectativa é concluir a intervenção em até 180 dias.

O secretário informou ainda que a Sinfra trabalha na elaboração dos projetos ambientais necessários para apresentação ao Ibama, após a Sema perder a autorização para licenciar obras dentro do Parque Nacional de Chapada dos Guimarães. Ele defendeu maior mobilização da sociedade da região para pressionar por soluções definitivas para a rodovia.

Por fim, Marcelo afirmou que o governo mantém investimentos contínuos na MT-251, lembrando que a estrada está há cerca de sete anos sem registros de buracos, e reforçou que a duplicação é necessária diante do crescimento do fluxo de veículos, impulsionado pelo turismo em balneários como Mutuca, Rio Claro e Rio dos Peixes. Para ele, a falta de intervenção estrutural pode resultar em consequências mais graves no futuro.
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