O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro (PSD), afirmou que disputará a reeleição ao Senado em 2026 no palanque do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A declaração foi dada em entrevista às Páginas Amarelas da revista Veja, publicada nesta sexta-feira (16), na qual o ministro reafirma o alinhamento político com o petista, repetindo a posição adotada nas eleições de 2018, quando rompeu com o grupo do governador Mauro Mendes (União) e coordenou a campanha de Lula em Mato Grosso.
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Questionado sobre o impacto da resistência do agronegócio à esquerda em sua candidatura, Fávaro disse esperar que essa rejeição seja reduzida ao longo da campanha. Segundo ele, sua decisão de apoiar Lula está baseada em avaliações feitas ainda antes de ingressar na política partidária. “Antes de ser político, acompanhei como líder classista tudo o que Lula fez nos primeiros dois mandatos em prol do setor agropecuário”, afirmou, acrescentando que o desempenho do petista foi determinante para seu apoio em 2022.
O ministro também comparou os governos Lula e Jair Bolsonaro (PL), destacando que não identificou, na gestão anterior, avanços relevantes em obras estruturantes ou inovação tecnológica voltadas ao campo. De acordo com Fávaro, a expectativa é convencer produtores e eleitores de que o atual presidente reúne condições para um novo mandato.
Ao ser questionado sobre um eventual cenário eleitoral em que Flávio Bolsonaro (PL) dispute a Presidência, Fávaro afirmou que a disputa não se constrói pela escolha de adversários, mas pela capacidade de apresentar resultados. Segundo ele, Lula tem histórico e serviços prestados à agropecuária que podem ser usados como argumento eleitoral. O ministro disse ainda acreditar que o presidente será reeleito independentemente de quem esteja no campo adversário.
Fávaro também comentou a possibilidade de o PSD articular uma candidatura própria à Presidência ou apoiar um nome do Centrão. Apesar de afirmar que respeitaria uma eventual decisão partidária, deixou claro que sua posição pessoal já está definida. “Vou respeitar se a sigla tiver outro nome, mas estarei no palanque do presidente Lula”, disse, ao mencionar que o partido comanda atualmente três ministérios no governo federal.
Sobre a estratégia para a campanha ao Senado, o ministro destacou ações desenvolvidas à frente do Ministério da Agricultura. Entre os pontos citados estão investimentos em modernização tecnológica, abertura de mercados internacionais, criação de linhas de financiamento para recuperação de solos degradados e programas voltados à revitalização de pequenas propriedades e ao fortalecimento da agricultura familiar.
Fávaro também mencionou sua trajetória pessoal como elemento central do discurso eleitoral. Segundo ele, a experiência de ter saído de um assentamento da reforma agrária até chegar ao comando do ministério reforça a defesa de políticas voltadas tanto a médios e grandes produtores quanto aos pequenos agricultores.