O senador Wellington Fagundes (PL) afirmou que solicitou autorização ao Supremo Tribunal Federal (STF) para visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Complexo da Papuda, em Brasília, com o objetivo de “dar um abraço no companheiro” e tratar de temas políticos, como articulações eleitorais, anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e estratégias do Partido Liberal para as eleições de 2026.
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A declaração foi feita nesta quarta-feira (4), durante a inauguração do Campus Várzea Grande do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), evento que contou com a presença do ministro da Educação, Camilo Santana. De acordo com Wellington, a visita está prevista para o sábado, dia 7 de março, no horário autorizado pelo Judiciário, das 8h às 10h.
“Se Deus quiser me permitir que eu esteja lá, eu vou conversar com o presidente Bolsonaro. É também uma visita humanitária. Ele está completamente isolado”, afirmou o senador, ao comparar a situação do ex-presidente com a do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), quando esteve preso. Segundo Wellington, Bolsonaro enfrenta restrições maiores quanto a visitas.
O senador disse que esteve com Bolsonaro durante o recesso parlamentar e que, naquele período, o ex-presidente recebeu poucas visitas. Também afirmou ter tratado do estado de saúde de Bolsonaro com o ministro Gilmar Mendes, decano do STF, pedindo que o tema fosse debatido entre os magistrados. Wellington cobrou mais sensibilidade dos ministros da Corte. “Está faltando Deus no coração dos julgadores”, declarou.
Durante a fala, o parlamentar voltou a defender a anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro e criticou as penas aplicadas pelo Judiciário. Também disse que pretende atuar para derrubar o veto presidencial relacionado à dosimetria das penas. As declarações ocorreram no contexto de críticas às decisões do STF.
Além do aspecto humanitário, Wellington afirmou que a visita também terá caráter político. Segundo ele, pretende discutir com Bolsonaro a consolidação do senador Flávio Bolsonaro (PL) como pré-candidato à Presidência da República, inclusive com foco em Mato Grosso. “Nossa maior missão é trabalhar o nome do Flávio Bolsonaro como pré-candidato a presidente”, disse.
Wellington confirmou ainda sua pré-candidatura ao governo de Mato Grosso e citou as pré-candidaturas do deputado federal José Medeiros (PL) ao Senado e de outros nomes para as disputas proporcionais.
A autorização para a visita foi concedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, que permitiu a entrada de Wellington e do presidente do Sindicato Rural de Ribeirão Preto, Paulo Junqueira, ao local onde Bolsonaro está detido. As visitas devem obedecer aos horários estabelecidos pelo complexo prisional.
Bolsonaro foi transferido para a Papudinha em 15 de janeiro, após decisão de Moraes, deixando a Superintendência da Polícia Federal em Brasília. O local é destinado a presos especiais. O ex-presidente cumpre pena de 27 anos e três meses de prisão, após condenação por liderar tentativa de golpe de Estado.
O STF também autorizou que Bolsonaro receba atendimento médico particular, possa ser deslocado a hospitais em caso de emergência e receba refeições especiais. Mesmo preso, as visitas autorizadas têm sido usadas para manter articulações políticas internas do PL, incluindo a definição de estratégias eleitorais para 2026.