O senador Wellington Fagundes (PL) afirmou que não tem amarras ideológicas e que, por isso, participou da inauguração do Campus Várzea Grande do Instituto Federal de Mato Grosso (IFMT), realizada nesta quarta-feira (4) pelo governo federal, com a presença do ministro da Educação, Camilo Santana (PT). A posição contrasta com a postura de setores do bolsonarismo que se recusam a dividir eventos com a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
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À imprensa, Wellington disse que a participação no ato está ligada à defesa da educação profissionalizante e ao histórico de atuação do seu mandato na área. Segundo ele, a obra é resultado de uma luta de anos, com destinação de emendas parlamentares e acompanhamento constante. “Isso aqui é uma causa que eu defendo desde que comecei. Independente de quem seja o governante, eu sou parlamentar e tenho que estar aqui”, declarou.
O senador destacou que foi aluno da antiga Escola Agrotécnica Federal de São Vicente e afirmou conhecer o impacto do ensino técnico na formação de jovens. Para ele, a qualificação profissional permite inserção rápida no mercado de trabalho e cria condições para outras formações. Wellington também citou a expansão da rede federal em Mato Grosso, com campi em municípios como Canarana, Água Boa, Colniza e Sinop, além da implantação de restaurantes universitários.
Durante o discurso, o parlamentar afirmou que não abriria mão de participar da solenidade por razões partidárias ou ideológicas. “Não é questão ideológica. É de entregar para a sociedade”, disse, ao criticar o número de obras inacabadas no país e defender a conclusão de investimentos públicos, especialmente nas áreas de educação e saúde.
Pré-candidato ao governo de Mato Grosso, Wellington enfrenta resistência de grupos bolsonaristas mais radicais há anos. Em 2018, ao disputar o Palácio Paiaguás, teve na chapa um representante do PCdoB concorrendo ao Senado, o que após o surgimento do bolsonarismo gerou questionamentos sobre sua posição política e rótulos entre apoiadores da direita. No último ano, no entanto, o senador intensificou a aproximação com pautas do campo político, como a defesa da anistia aos condenados pelos atos de 8 de Janeiro e, mais recentemente, a prisão humanitária do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
A inauguração do Campus Várzea Grande do IFMT contou com investimento total de R$ 17,2 milhões, sendo R$ 9,7 milhões oriundos do Novo Programa de Aceleração do Crescimento (Novo PAC). Atualmente, o IFMT possui 19 campi, com 281 cursos e atendimento a mais de 29,5 mil estudantes. Na cerimônia, também foi assinado o termo de posse do reitor Julio Cezar dos Santos, reeleito para o mandato de 2025 a 2029.