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Ex-servidora registra BO por assédio sexual contra secretário de Trabalho; ele pede exoneração do cargo

06 Fev 2026 - 20:21

Da Redação - Rodrigo Costa e Luis Vinicius

Foto: Prefeitura de Cuiabá

Ex-servidora registra BO por assédio sexual contra secretário de Trabalho; ele pede exoneração do cargo
Uma ex-funcionária que atuou sob a chefia de William Leite de Campos na Prefeitura de Cuiabá registrou um boletim de ocorrência na tarde desta sexta-feira (6) na Polícia Civil, no qual acuasa William de assédio sexual e atos de improbidade administrativa. A denúncia foi formalizada algumas horas antes de William tornar público seu pedido de exoneração do cargo de secretário municipal de Trabalho.


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Em nota, a Prefeitura de Cuiabá informou que não tem conhecimento formal dos "fatos mencionados e que, até o presente momento, não recebeu qualquer denúncia oficial relacionada ao caso".

A vítima, K. F. M., advogada de 31 anos, relatou uma série de condutas supostamente praticadas por William quando ele era seu chefe imediato no gabinete do prefeito, em 2025. O boletim foi registrado na Delegacia Digital e encaminhado para a 1ª Delegacia de Polícia de Cuiabá.

Segundo o relato, após ser convidada para integrar a equipe, a vítima foi submetida a um ambiente de controle e isolamento funcional. Ela narra que William realizou reiteradas tentativas de aproximação física não consentida, chegando a encostar o rosto no dela e tentar beijá-la durante momentos de despacho profissional, "aproveitando-se da posição hierárquica e da dependência profissional existente".

“Desde o início passaram a ocorrer condutas de cunho pessoal incompatíveis com o ambiente profissional, incluindo convites reiterados para permanecer a sós em outros locais, sempre recusados por mim”, relata.

Ela relatou ainda que, após procurar o secretário de Governo Ananias Filho para expor as ocorrências - que prontamente lhe propôs uma realocação -, William teria reagido com gritos e ofensas profissionais quando ela precisou solicitar andamento de processos. Diante desse último episódio, optou por não permanecer no cargo e foi exonerada a pedido.

Além disso, a advogada descreve um episódio em que, ao entregar dinheiro em espécie a William para que ele realizasse uma transferência bancária, o então chefe "empurrou minha mão para dentro da bolsa e introduziu a própria mão junto", ato que a deixou constrangida. 

O boletim também relata gritos, ofensas profissionais e comentários de terceiros no ambiente de trabalho no sentido de que a vítima e outras servidoras teriam sido nomeadas "por serem bonitas". A vítima afirma que só agora, ao tomar conhecimento de denúncias anteriores contra William, sentiu-se segura para formalizar a queixa.

“Ouvi comentários informais, feitos por outro homem, no ambiente de trabalho, no sentido de que ‘vocês só estão aqui por serem bonitas, caso contrário não teriam sido nomeadas pelo William’”.

Ela afirma que não formalizou a denúncia na época por medo de exposição e receio de prejudicar um familiar que também era servidor nomeado em outra secretaria. Segundo seu depoimento, só decidiu fazer o registro agora, após tomar conhecimento de denúncias anteriores contra William, quando sentiu-se mais segura para fazer o B.O.

Pedido de exoneração

O secretário municipal de Trabalho de Cuiabá, Willian Leite de Campos, pediu exoneração do cargo poucas horas após a Polícia Civil arquivar o pedido de investigação apresentado contra ele pelo prefeito Abílio Brunini.

A decisão de arquivamento foi oficializada na terça-feira (3) e comunicada pela prefeitura no início da noite. A Polícia Civil, por meio da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR), concluiu que não havia justa causa para a investigação, destacando a ausência de fatos concretos e indícios mínimos de materialidade ou autoria.

Em nota pública divulgada em suas redes logo no inicio desta noite, Willian afirmou que, apesar de seu nome ter sido preservado pelas instituições, a continuidade de acusações sem fundamento gerou desgaste pessoal, familiar e institucional. Ele atribuiu os ataques a motivações políticas, ligadas à sua pré-candidatura a Deputado Federal.

“Por decisão pessoal, e para tentar cessar os ataques a minha pessoa sem fundamentos, apresentei meu pedido de exoneração, como medida de preservação da minha família, dignidade do meu nome e respeito às instituições”, declarou.

O secretário agradeceu ao prefeito Abilio e ao secretário de Governo, Ananias Filho, pela oportunidade de atuar na gestão municipal, e reafirmou sua “absoluta tranquilidade” quanto à correção de sua conduta no serviço público. “Saio de cabeça erguida, com a consciência limpa e confiante de que a verdade sempre prevalece”.

Arquivamento de denúncias

O pedido de denúncia havia sido formalizado no início de janeiro de 2026 pelo próprio prefeito, que solicitou apuração de “denúncias genéricas” e chegou a autorizar o acesso a seus dados fiscais e bancários, alegando a necessidade de preservar a estabilidade institucional e afastar danos reputacionais.

Após tramitação interna, o caso foi analisado pela Delegacia Especializada de Combate à Corrupção (DECCOR). 

Em despacho datado de 29 de janeiro de 2026, o delegado responsável destacou que não foram encontrados procedimentos investigativos em nome do secretário e que o requerimento não apresentava fatos concretos nem indícios mínimos de materialidade ou autoria.

No ofício final encaminhado ao prefeito, a delegada-geral da Polícia Judiciária Civil, Daniela Silveira Maidel, comunicou formalmente o arquivamento. “Diante da ausência de justa causa no presente momento, consubstanciada na inexistência de indícios mínimos de materialidade e autoria, esta Polícia Judiciária Civil deliberou pelo arquivamento do expediente”, registra o documento, assinado na terça-feira. 

A decisão da Polícia Civil reforça o entendimento já adotado pelo Ministério Público de Mato Grosso, que, no fim de janeiro, também havia indeferido pedido semelhante apresentado pelo prefeito. Na ocasião, o MP entendeu que não havia qualquer prova ou indício de crime, improbidade administrativa ou lesão ao patrimônio público, além de considerar que o requerimento tratava predominantemente de questão de natureza individual e reputacional.

Em seu despacho, o Ministério Público destacou que “não há demonstração de quaisquer condutas ímprobas ou ilegais” e que “não existem elementos suficientes que justifiquem a instauração de procedimento investigatório”. Com isso, tanto o órgão ministerial quanto a Polícia Civil concluíram que o caso carecia de objeto jurídico para avançar.

Com o arquivamento nas duas instâncias, o pedido de investigação apresentado pelo prefeito fica encerrado, podendo ser reaberto apenas caso surjam novos fatos concretos ou provas específicas que indiquem a ocorrência de ilícitos.

O que diz a Prefeitura de Cuiabá 

A Prefeitura de Cuiabá informa que não tem conhecimento formal dos fatos mencionados e que, até o presente momento, não recebeu qualquer denúncia oficial relacionada ao caso.

A administração municipal informa que o senhor William Leite de Campos solicitou desligamento do cargo de secretário municipal de Trabalho, o qual foi formalizado nesta sexta-feira (6), no período da manhã, a pedido, por decisão pessoal, não integrando mais o quadro da gestão.

Ainda assim, a gestão reforça que trata toda e qualquer alegação dessa natureza com absoluta seriedade, repudia veementemente esse tipo de conduta e mantém compromisso institucional com a ética, o respeito e a integridade no ambiente de trabalho. Ressalta, ainda, que qualquer denúncia contra qualquer servidor, uma vez oficialmente formalizada, será devidamente apurada.

A administração municipal permanece à disposição para colaborar com eventuais investigações e confia nos instrumentos legais para o pleno esclarecimento da verdade.

 
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