A vereadora Dra. Mara (Podemos) apresentou um requerimento na Câmara de Cuiabá para a criação de uma comissão especial destinada a apurar a denúncia registrada por uma ex-servidora da prefeitura contra o ex-secretário municipal de Trabalho e ex-chefe de gabinete do prefeito Abilio Brunini (PL), William Leite de Campos.
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A iniciativa surge em meio à polêmica envolvendo a tentativa de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), proposta pelo vereador Daniel Monteiro (Republicanos), para investigar o mesmo caso de suposto assédio sexual.
De acordo com o requerimento, a comissão especial terá prazo inicial de até 90 dias, prorrogável por igual período, para apurar os fatos narrados pela ex-servidora municipal, conforme boletim de ocorrência registrado na Delegacia Digital da Polícia Judiciária Civil no dia 6 de fevereiro. A denúncia envolve, em tese, suposta prática de atos de assédio sexual ou outras infrações atribuídas a William.
A proposta prevê que o requerimento seja apreciado em plenário e, se aprovado, encaminhado ao Colégio de Líderes para a escolha dos membros da comissão, que deverá ser presidida pela própria autora. O texto também estabelece prazo máximo de 48 horas para a publicação da resolução de criação da comissão após a aprovação.
Na justificativa apresentada, Dra. Mara argumenta que a comissão especial é um instrumento adequado para garantir a apuração responsável dos fatos, sem comprometer o regular funcionamento dos trabalhos legislativos. A vereadora destaca ainda que a iniciativa representa um compromisso institucional da Câmara com a função fiscalizadora e com a defesa da dignidade humana, diante da gravidade das acusações.
A movimentação ocorre após uma ex-funcionária da Prefeitura registrar boletim de ocorrência contra William, no qual relata uma série de condutas que teriam ocorrido em 2025, quando ela atuava sob sua chefia no gabinete do prefeito. A denúncia inclui relatos de tentativas de aproximação física não consentida, convites insistentes fora do ambiente de trabalho e situações de constrangimento, supostamente motivadas pela relação hierárquica entre as partes.
O caso ganhou outros contornos nos últimos dias após vereadores protocolarem diversos pedidos de CPIs, atingindo o limite máximo previsto no Regimento Interno da Casa. A estratégia, segundo informações de bastidores, teria como efeito impedir o avanço da CPI proposta por Daniel Monteiro para investigar o ex-secretário, o que gerou críticas.
William pediu exoneração do cargo poucas horas após o registro do boletim de ocorrência. Em manifestação, afirmou que deixou a função por razões pessoais e negou as acusações, que classificou como infundadas.