A vereadora Michelly Alencar (União) condenou a politização da denúncia de assédio sexual feita por uma ex-servidora da Prefeitura de Cuiabá contra o ex-chefe de gabinete do prefeito Abilio Brunini (PL), Willian Campos. A manifestação ocorreu durante entrevista concedida na manhã desta terça-feira (10), em meio ao debate instalado na Câmara Municipal sobre a forma de apuração do caso.
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Ao comentar o posicionamento institucional do Legislativo, Michelly afirmou que a Mesa Diretora tem entendimento unânime de que crimes como assédio sexual, assédio moral e desvio de recursos devem ser repudiados e apurados com seriedade. Segundo ela, não há qualquer possibilidade de relativização do tema.
“A posição da Mesa é a posição que todos entendem assédio moral, assédio sexual, desvio de recurso ilícito como crime. Espero que a gente tome essa posição. Nós somos contra o ilícito. Como que uma Mesa Diretora feminina vai ser a favor, acobertar ou minimizar um assédio? Não! De maneira alguma”, declarou.
A vereadora destacou, no entanto, que é preciso separar o enfrentamento institucional do crime do uso político do caso. Para Michelly, a defesa das mulheres exige responsabilidade e cuidado com a vítima.
“Eu não compactuo com assédio, não compactuo com crime, mas nós não podemos esquecer que mulher que defende mulher entende o que é defender mulher. Não é fazer espetáculo político”, afirmou.
As declarações ocorrem no mesmo dia em que a Câmara Municipal de Cuiabá decidiu não acatar o pedido de abertura de CPI para investigar o caso, mas aprovou a criação de uma comissão especial para apurar a denúncia. O requerimento foi apresentado pela vereadora Dra. Mara (Podemos) e aprovado com 22 votos favoráveis e uma abstenção.
A comissão especial terá prazo inicial de até 90 dias, prorrogável por igual período, para apurar os fatos narrados pela ex-servidora em boletim de ocorrência registrado na Delegacia Digital da Polícia Judiciária Civil de Mato Grosso, em 6 de fevereiro de 2026. A denúncia envolve, em tese, a prática de assédio sexual ou outras infrações atribuídas a Willian Campos.
Segundo a parlamentar, a exposição excessiva da denunciante pode resultar em revitimização, o que, em sua avaliação, contraria os princípios de proteção às mulheres vítimas de violência.
“Uma mulher que defende uma vítima de assédio sabe que essa vítima não pode ser revitimizada. Mulher que defende mulher sabe que essa vítima não pode ser colocada em uma CPI, com transmissão ao vivo, tendo que ficar de frente com o agressor questionada se ela foi vítima ou não”, disse.
Michelly também defendeu que denúncias de assédio sexual devem ser apuradas pelas instâncias competentes do sistema de Justiça, e não no âmbito de uma Comissão Parlamentar de Inquérito.
“Assédio sexual não se investiga dentro de CPI. É crime de natureza penal, cuja apuração tem que ser feita na Polícia Civil, no Ministério Público e no Judiciário. A Casa vai fazer o que lhe compete”, completou.