O secretário estadual de Saúde, Gilberto Figueiredo (União), afirmou nesta quarta-feira (11) que está à disposição da Assembleia Legislativa para prestar esclarecimentos sobre a chamada CPI da Operação Espelho, mas levantou a possibilidade de motivação eleitoral por trás da iniciativa.
Leia também
Deputados citam precedente do Senado e afirmam que CPI não instalada permite retirada de assinaturas
“Eu sou um cidadão público, um servidor público. Há dois dias me aposentei como professor do governo de Mato Grosso, depois de 37 anos de contribuição. Na função de secretário, estou obrigado a atender a todas as solicitações que se fizerem necessárias”, declarou. Segundo ele, não é indiciado na Operação Espelho e não acredita que integrantes de sua equipe tenham cometido irregularidades. “Se nós formos convocados, vou estar à disposição”, afirmou.
Suplente do União e pré-candidato a deputado estadual, Gilberto citou o desempenho nas eleições anteriores, quando obteve 28 mil votos. “Eu tive mais votos que 11 deputados que foram eleitos. Talvez isso incomode alguns”, disse. Apesar disso, afirmou que respeita a autonomia do Legislativo e que enfrentará o processo dentro das regras. Ele informou que pretende se descompatibilizar do cargo no início de abril e aguardar as convenções.
A CPI foi lida em plenário na semana passada, embora o requerimento tenha sido protocolado em 2023, com base em desdobramentos da Operação Espelho, conduzida pela Polícia Civil para apurar supostas irregularidades em contratos da Saúde, inclusive durante a pandemia. O documento cita bloqueio de cerca de R$ 35 milhões em bens dos investigados, decisões do Tribunal de Contas da União para retenção de pagamentos e determinação judicial de suspensão de contrato que soma R$ 30,2 milhões, além de medidas relacionadas ao fornecimento de órteses, próteses e materiais especiais.
Na terça-feira (10), os deputados Dr. João (MDB), Chico Guarnieri (PRD) e Juca do Guaraná (MDB) protocolaram pedido de retirada de suas assinaturas do requerimento. Eles argumentam que a leitura em plenário não configura instalação automática da comissão e que não houve fato novo que justifique a retomada após três anos. O pedido foi encaminhado ao presidente da Assembleia, Max Russi (PSB), que informou que submeterá o caso à Procuradoria da Casa. Até manifestação formal, a CPI segue tramitando.
A comissão deve ser presidida por Wilson Santos (PSD) e ter Janaina Riva (MDB) entre os membros titulares. A relatoria tende a ficar com parlamentar da base governista. Nos bastidores, há impasse sobre a validade das assinaturas, que teriam sido coletadas em 2023 sem data preenchida e formalizadas apenas no momento da apresentação do requerimento.