O vereador recém empossado Fellipe Correa (PL) disse que deve exonerar 100% do gabinete do vereador afastado Chico 2000 (sem partido). O parlamentar assumiu a cadeira na Câmara Municipal de Cuiabá nesta quinta-feira (12), após decisão judicial que manteve o titular afastado no âmbito da Operação Gorjeta.
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A declaração foi dada logo após a posse. Questionado se a exoneração atingiria toda a equipe vinculada ao gabinete anterior, o novo parlamentar afirmou que a substituição é necessária diante do contexto da investigação.
“Da outra vez, eu tive essa sensibilidade, até porque todos eles são seres humanos e têm família. Contudo, diante do afastamento dessa vez, inclusive também de um servidor, eu entendo que nós precisamos fazer essa substituição”, declarou.
Ao ser questionado se a mudança abrangeria 100% da equipe, respondeu: “Creio que sim. Vamos avaliar ainda, porque na verdade hoje eu estou chegando aqui, ainda nem conversamos com a equipe do gabinete”.
Além de Chico 2000, também está afastado o então chefe de gabinete Rubens Vuolo Junior, conhecido como Rubinho. Ambos foram alvos da Delegacia Especializada de Combate à Corrupção, que conduz a Operação Gorjeta.
De acordo com relatório policial que embasou a ação, Rubinho é apontado como pessoa de extrema confiança de Chico 2000 e atuava ao lado do vereador desde 2016, exercendo funções de chefia no gabinete ou na Secretaria de Gestão Administrativa da Câmara.
As investigações revelaram, inclusive, que o parlamentar recorria ao chefe de gabinete para esclarecer dúvidas sobre a própria remuneração. Em uma das mensagens analisadas pela Polícia Civil, datada de 27 de janeiro de 2025, Chico encaminha ao servidor a imagem de um extrato bancário e questiona: “o que é isso? O que está faltando?”. Segundo o relatório, Rubinho explica que os valores se referiam à verba indenizatória e a complementos salariais relacionados à participação em comissões legislativas.
A Operação Gorjeta apura suposto esquema de desvio de recursos públicos, associação criminosa e lavagem de dinheiro envolvendo agentes públicos e terceiros ligados ao vereador afastado. O relatório também cita outras frentes investigativas, como diligências realizadas na Peixaria Água na Boca, onde, segundo a Deccor, Chico teria atuado como gestor, apesar de declarações públicas de que trabalhava apenas como garçom durante período anterior de afastamento.