O ministro Cristiano Zanin afirmou, durante sessão reservada do Supremo Tribunal Federal, que a Polícia Federal tem enviado ao seu gabinete volume de informações muito inferior ao produzido contra o ministro Dias Toffoli no caso do Banco Master. Relator de investigações que envolvem integrantes do Superior Tribunal de Justiça, Zanin utilizou a Operação Sisamnes para questionar a robustez do material reunido pela Polícia Federal no relatório que embasava a discussão interna no Supremo sobre a suspeição de Toffoli. Segundo o ministro, a Sisamnes — deflagrada para apurar suspeitas de vazamento de informações sigilosas e possível venda de decisões judiciais no STJ — produziu um conjunto probatório mais limitado quando comparado ao relatório de cerca de 200 páginas contra Toffoli. Na avaliação de Zanin, a disparidade chama atenção sobretudo pelo grau de sensibilidade institucional dos alvos da Sisamnes, que investiga condutas potencialmente lesivas à integridade do sistema de Justiça. “Sou há 1 ano e meio relator de um caso que envolve 3 ministros do STJ (Superior Tribunal de Justiça) e a Polícia Federal até hoje mandou para mim muito menos informação do que essas 200 páginas, com fotos de satélite, cruzamento de celulares…? Isso aqui tudo é nulo”. As suspeitas sobre venda de decisões no STJ surgiu após a morte do advogado Roberto Zampieri, em Cuiabá. Perícia no celular de Zampieri revelou esquema de venda de decisões judiciais em diversos tribunais do Brasil.