Áudio obtido pela reportagem mostra uma conversa entre Paulo Neves Bispo e a própria filha, na qual ele relata a intenção de matar a ex-companheira, a professora Luciene Naves Correia, de 57 anos, ao mesmo tempo em que demonstrava interesse em reatar o relacionamento. A vítima foi assassinada a tiros pelo homem no dia 16 de fevereiro, em Cuiabá.
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No áudio, o suspeito afirma estar furioso e diz que, caso continuasse separado da mulher, iria atrás dela e “descarregaria a arma”. Ele atribui a revolta ao fato de, após o término do relacionamento, estar morando na rua e passando por dificuldades. Também menciona que já haviam se passado mais de 60 dias desde o fim da relação e que, na visão dele, seria tempo suficiente para que os ânimos se acalmassem e houvesse uma reconciliação.
Em determinado momento, a filha o interrompe dizendo que entende a situação, mas ressalta que ele tem familiares e poderia pedir ajuda enquanto resolvesse o problema. Ela também menciona um episódio de briga entre o casal, quando precisou se trancar no banheiro.
Ao final da conversa, Paulo afirma que não daria tempo de a polícia matá-lo, pois agiria antes, alegando que não tinha nada a perder e que estava cansado de esperar pela ex-companheira.
O crime
Na última segunda-feira (16), Paulo invadiu a casa de Luciene após desligar a energia elétrica do imóvel. Em seguida, efetuou dois disparos contra a vítima e fugiu.
Ele foi perseguido por vizinhos e por um policial militar à paisana, que conseguiu atirar contra o suspeito. Paulo recebeu atendimento médico, mas não resistiu aos ferimentos.
Versões contraditórias
Em entrevista à TV Centro América, as filhas da vítima alegaram que a mãe acionou o botão do pânico no dia do assassinato e afirmaram que a Justiça teria responsabilidade no feminicídio.
Segundo elas, a família procurou as autoridades diversas vezes para pedir a prisão do suspeito, mas a medida não foi cumprida.
Em nota, a Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) informou que, no dia do crime, não houve registro de acionamento do botão do pânico.