O governador Mauro Mendes (União) classificou como “manobra política” a criação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Saúde pela Assembleia Legislativa e criticou a retomada de investigações sobre fatos que, segundo ele, já foram apurados pela Polícia Civil e pelo Ministério Público.
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A CPI foi instaurada para investigar atos praticados no âmbito da Secretaria de Estado de Saúde entre 2019 e 2023, relacionados a denúncias de irregularidades em procedimentos licitatórios que resultaram na deflagração da Operação Espelho.
Para Mendes, no entanto, o tema já foi objeto de apuração formal. Ele afirmou que as assinaturas que embasaram o pedido da comissão foram coletadas há mais de dois anos, quando a própria Secretaria de Governo encaminhou denúncia às autoridades competentes.
Segundo o governador, a Polícia Civil concluiu as investigações e remeteu o caso ao Ministério Público, que teria denunciado os envolvidos.
Ele argumentou que, dois anos depois, as mesmas assinaturas foram reapresentadas, mesmo após três deputados solicitarem a retirada de seus nomes do requerimento.
“Isso foi uma manobra política feita e eu lamento que, nesse momento em que nós temos tanta coisa séria para fazer, temos que perder tempo com isso”, afirmou.
Ele acrescentou que não se opõe a investigações, mas questionou a necessidade de uma nova apuração sobre fatos que, conforme destacou, já passaram pelo crivo dos órgãos competentes.
“Quer investigar? Pode investigar. Mas não investigar aquilo que a polícia já investigou, aquilo que o Ministério Público já investigou e que já processou”, declarou.
Apesar das críticas, Mauro afirmou estar à disposição para prestar esclarecimentos.
“Eu estou pronto para responder a qualquer coisa do Estado de Mato Grosso”, disse.
Composição
A comissão terá como presidente o deputado Wilson Santos (PSD), autor do requerimento de criação. A composição indica maioria de parlamentares alinhados ao governo entre os membros titulares: Dilmar Dal Bosco (União), líder do governo na Assembleia; Beto Dois a Um (PSB), vice-líder do Paiaguás; Chico Guarnieri (PRD); e Janaina Riva (MDB). O relator ainda não foi definido. Na suplência foram designados Carlos Avallone (PSDB), Paulo Araújo (PP), Lúdio Cabral (PT), Dr. Eugênio (PSB) e Thiago Silva (MDB).
A formação do colegiado foi marcada por impasse na semana passada, após deputados tentarem retirar assinaturas do requerimento sob o argumento de que a leitura em plenário não implicaria instalação automática da CPI. Parecer da Procuradoria da Assembleia, contudo, apontou que não há previsão regimental para exclusão nessa fase do processo, o que levou à consolidação da comissão.