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"É inadmissível": Delegada-geral anuncia revisão de protocolos após detenta ser estuprada por policial dentro de delegacia

03 Mar 2026 - 14:06

Da Redação - Rodrigo Costa / Do Local - Jardel P. Arruda

Foto: Marcos Vergueiro/Secom-MT

A delegada-geral da Polícia Civil de Mato Grosso, Daniela Maidel, classificou como “inadmissível” o estupro de uma detenta dentro de uma unidade da corporação em Sorriso, ocorrido em dezembro do ano passado. A vítima estava presa temporariamente quando foi abusada sexualmente ao menos quatro vezes por um investigador da própria Polícia Civil. Maidel afirmou que a instituição está revendo todos os procedimentos internos para evitar que episódios como esse se repitam. 


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A declaração foi dada nesta terça-feira (3), durante um evento do governo do estado na Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (Seplag-MT) pelos crimes de estupro e abuso de autoridade, após exames periciais confirmarem o abuso sexual. 

O inveestigador foi indiciado pelos crimes de estupro e abuso de autoridade, após exames periciais confirmarem o abuso sexual, e o inquérito foi remetido ao Poder Judiciário e Ministério Público para prosseguimento da ação penal.

Diante da gravidade do caso, a delegada-geral afirmou que a instituição está revendo todos os procedimentos internos para evitar que episódios como esse se repitam. 

Questionada sobre a necessidade de reforçar a segurança com câmeras e aumentar a presença de policiais femininas em turnos que envolvem mulheres custodiadas, Maidel destacou que as medidas estão sendo avaliadas.

“Uma ocorrência dessa é inadmissível. Nós estamos revendo todos os procedimentos internos. É bom, também, que se diga que a Polícia Civil é composta na sua imensa maioria de policiais corretos, trabalhadores e responsáveis. Nós não podemos medir uma instituição pelo ato isolado de uma única pessoa. Mas nós estamos revendo todo esse procedimento e aguardamos as indicações da Corregedoria para melhorar qualquer tipo de procedimento”, disse.

A delegada-geral também atualizou sobre o andamento das investigações administrativas. Ele disse que o inquérito policial, que é a fase de investigação, já foi concluído e que só aguarda o resultado da investigação da corregedoria. 

“Salvo engano, o Ministério Público já ofereceu denúncia e o investigado continua preso. Com relação ao processo administrativo, ele já está adiantado, até porque as investigações já foram concluídas e, muito em breve, a Corregedoria deve divulgar o resultado desse processo administrativo”.

O caso

Na primeira quinzena de dezembro de 2025, a Delegacia de Sorriso recebeu requisição do Ministério Público, noticiando que uma mulher teria sido abusada sexualmente no interior da unidade policial por um investigador de polícia, enquanto estava presa.

O fato teria ocorrido enquanto a mulher se encontrava custodiada em razão do cumprimento de um mandado de prisão temporária pelo crime de homicídio.

Diante da gravidade das informações, foi instaurado inquérito para apuração dos fatos. No curso das investigações, foram realizadas oitivas de outras detentas, que compartilhavam cela com a vítima, e dos policiais plantonistas, inclusive do servidor apontado como suspeito.

Além disso, foram requisitados exames periciais, dentre eles o confronto do material genético do investigado com o material biológico coletado da vítima.

O resultado pericial indicou compatibilidade genética, razão pela qual a Delegacia de Sorriso representou pela prisão preventiva do servidor, bem como pela expedição de mandado de busca e apreensão e pela quebra de sigilo de dados telefônicos.

Mandado cumprido

Diante das medidas deferidas judicialmente pela Comarca de Sorriso, os mandados foram cumpridos no último domingo (1º de fevereiro), ocasião em que o investigador, de 52 anos, foi preso de forma preventiva.

O policial civil foi encaminhado para a Cadeia Pública de Chapada dos Guimarães, após passar por audiência de custódia.

Prisão da vítima do estupro

A mulher vítima de estupro foi presa por envolvimento em um homicídio em Sorriso. No decorrer das investigações, a Delegacia de Sorriso representou pela revogação da prisão temporária, para que a investigada respondesse em liberdade até a conclusão do inquérito, que segue em andamento na unidade policial para apurar o respectivo homicídio.

A suspeita teve outro mandado de prisão preventiva expedido pelos crimes de tortura e organização criminosa. 
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