Em entrevista nesta segunda-feira (3) ao Jornal do Meio Dia, da TV Vila Real, a reitora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Marluce Souza, chamou de "surpresa desagradável" e criticou a falta de consulta à instituição sobre a proposta do deputado Wilson Santos (PSD) de debater as implicações técnicas e jurídicas da área onde está sendo construído o novo Hospital Universitário Júlio Müller, que é administrado pela Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh).
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O terreno foi recentemente definido como pertencente ao município de Santo Antônio de Leverger por meio de leis aprovadas pela Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT).
Marluce disse que a UFMT "nunca foi convidada para participar, para opinar, para apresentar considerações" sobre a nova definição geográfica entre Santo Antônio de Leverger e Cuiabá.
A principal preocupação da reitora reside na capacidade de Santo Antônio de Leverger, que, segundo ela, possui um orçamento anual de R$ 113 milhões - ante R$ 300 milhões só do Hospital Júlio Muller -, além de fornecer a infraestrutura robusta necessária para um hospital de alta complexidade que atenderá cerca de 20 mil pessoas de Várzea Grande, Santo Antônio e Cuiabá.
"Nós precisamos, para atender o Hospital Universitário, de uma estrutura robusta. Robusta no sentido de oferecer recursos, recursos de abastecimento de água, de abastecimento de transporte, de manutenção nas nossas vias e de oferecer um sistema de contratualização que precisa ser seguro para o SUS", alertou a reitora.
Segundo Marluce, ligar o hospital de grande porte a um município pequeno pode gerar "riscos importantes". Durante a entrevista, ela questionou se o município tem "água suficiente para abastecer a necessidade de um hospital diariamente" e se sua "capacidade orçamentária vai dar conta de garantir infraestrutura e serviços".
A reitora reforçou o posicionamento da universidade de que o hospital deveria permanecer vinculado a Cuiabá para evitar uma série de dificuldades.
Marluce lembrou que o Sistema Único de Saúde (SUS) é tripartite, ou seja, contra com a gestão que tem partição da União, Estado e Município e que todos os registros, certidões negativas e recursos demandados durante a construção foram emitidos por Cuiabá.
A alteração municipal neste estágio da obra, segundo a reitora, trará "muitas dificuldades" burocráticas e colocará em risco o prazo de funcionamento e o atendimento do hospital, já que os cursos de saúde ligados ao hospital estão registrados no Ministério da Educação (MEC) como funcionando em Cuiabá.
"São alterações burocráticas que demandam tempo e que vão colocar em risco o atendimento e o prazo de funcionamento do hospital universitário. E é isso que nós queremos evitar".