O prefeito de Cuiabá, Abilio Brunini (PL), afirmou em entrevista ao site Capital Política, nesta terça-feira (3), que o fim da escala de trabalho 6x1, ao invés de trazer benefícios aos trabalhadores, vai resultar em prejuízos e no encarecimento do custo de vida e dos alimentos. Segundo ele, quem vai pagar mais caro é o próprio trabalhador.
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O gestor argumentou que a redução da jornada terá impacto direto no comércio e na economia como um todo. "A gente já percebe alguns mercados, por exemplo, fechando ao domingo, falando que o mercado já não vai abrir aos domingos. Qual é a penalidade disso? A economia terá um dia menos de mercado funcionando, um dia menos de venda, um dia menos de economia girando", declarou.
O prefeito também rebateu o argumento de que a medida proporcionaria mais descanso aos trabalhadores. "Ah, mas pelo menos o trabalhador vai descansar'. Sim, o trabalhador vai descansar, só que também vai ter mais desemprego, vai ter mais contratação, o valor do produto sobe", alertou.
Para o chefe do Executivo cuiabano, qualquer alteração na escala de trabalho, seja para “3x4, 4x5 ou 5x2”, acabará prejudicando justamente quem mais precisa.
"Se você diminuir a escala, você está trazendo prejuízo para o próprio trabalhador que consome. O arroz vai ficar mais caro, o feijão vai ficar mais caro, o refrigerante vai ficar mais caro, a água, tudo vai ficar mais caro, porque você precisa contratar mais gente para poder prestar o serviço necessário que o consumidor geral faz", explicou.
Ainda em sua fala, ele também criticou a lógica de que mais dias de folga significam mais qualidade de vida. "O cara que é rico, o cara que trabalha, que ganha dinheiro, o cara que gera emprego, o cara que é empresário, ele vai se adaptar a isso, vai pegar toda essa conta e jogar a fatura no consumo final. Quem vai pagar mais caro é o trabalhador", afirmou.
O prefeito chegou a questionar se, na prática, o trabalhador realmente teria mais descanso. Ele ponderou que, em caso de mais dias de descanso, o trabalhador irá procurar outras atividades para complementar a renda.
"Ah, mas pelo menos vai ter um dia a mais de descanso. Do jeito que as coisas estão, eu acho que não. Do jeito que as coisas estão, vai se contratar um trabalhador para trabalhar 5x2, esse cara vai ter dois dias de folga, e esses dois dias de folga ele vai abrir outro emprego para ele aumentar a renda dele para trabalhar".
Como alternativa, Abilio defendeu uma maior flexibilização da jornada de trabalho, com pagamento por horas trabalhadas. “Eu acho que o mais importante é que o nosso horário de trabalho fosse mais flexibilizado. Que se pagasse por horas trabalhadas, aquele que quer trabalhar seis dias vai ganhar uma produção de horas de seis dias. Se trabalhar dois dias, três dias, quatro dias, paga por hora", sugeriu.
Abilio alertou para os riscos de o Brasil perder competitividade industrial diante de países vizinhos. Ele ironizou o presidente Lula (PT) e disse que a medida pode fazer o Brasil perder indústrias para o vizinho Paraguai.
"Um comentarista chinês disse esses dias em um programa que torce para o Brasil ter mais direitos. Quanto mais direitos, o chinês ganha mais. Se o chinês vem para cá, ele ganha em cima do nosso mercado. O pessoal do Paraguai também está comemorando. Porque quanto mais o Lula faz isso, mais empresas estão lá no Paraguai para mandar de lá para cá o produto na venda final. Então nós vamos perder a industrialização, nós vamos perder o fortalecimento da economia comercial".
Discussão em Brasília
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, disse hoje, em São Paulo, que o governo poderá enviar um projeto de lei com urgência para o Congresso Nacional, caso as discussões que tratam sobre a jornada de trabalho, como o fim da escala 6x1 e a redução de horas semanais, não caminhem na"velocidade desejada”.
Uma das PECs que tramitam atualmente no Congresso aumenta de um para dois dias o descanso mínimo semanal - preferencialmente aos sábados e domingos - e diminui de 44 para 36 horas o tempo máximo de trabalho semanal, sem contar horas extras. Atualmente, a Constituição estabelece que a carga de trabalho será de até oito horas diárias e até 44 horas semanais.